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Coreias concordam em avançar para a “completa desnuclearização” da península

Encontro desta sexta-feira foi o primeiro entre dois líderes coreanos em 11 anos e servirá para preparar a reunião entre Kim Jong-un e o presidente dos EUA, Donald Trump

Coreia do Norte e Coreia do Sul
Cerimônia de boas-vindas antes da reunião entre Kim Jong-un (à direita) e Moon Jae-in na Casa da Paz em Panmunjom, na zona desmilitarizada, a primeira cúpula de líderes coreanos em 11 anos
Goyang (Coreia do Sul)

Os líderes das duas Coreias, Kim Jong-un (Norte) e Moon Jae-in (Sul), concordaram nesta sexta-feira, dia 27, em buscar “a completa desnuclearização” da península coreana durante a cúpula histórica realizada na fronteira entre os dois países. “O sul e o norte confirmaram seu objetivo comum de alcançar uma península livre de armas nucleares por meio da desnuclearização completa”, diz o comunicado assinado pelos dois líderes no final das negociações.

Os líderes dos dois países se reuniram em uma cúpula histórica na Casa da Paz do Sul, na zona desmilitarizada que separa os dois países tecnicamente em guerra. “Uma nova História começa a partir de agora. No momento em que começa uma era de paz”, escreveu Kim Jong-un, o líder supremo norte-coreano, no livro de honra. As portas do pavilhão Panmunjak foram abertas às 9h28 (21h28 hora de Brasília) para o líder norte-coreano, que chegou vestindo um terno risca de giz. Com rosto sério e acompanhado de uma grande comitiva de funcionários e guarda-costas, Kim desceu a escada que leva à linha de demarcação militar, o marco de cimento que separa as duas Coreias na Área de Segurança Conjunta. Lá, entre as cabines azuis reservadas para conversas militares, e do outro lado da fronteira, Moon esperava por ele. Imediatamente, os rostos tensos se transformaram em sorrisos.

Os dois líderes – o jovem autocrata de 34 anos e o ex-advogado de direitos humanos de 65 – trocaram algumas palavras e um longo e forte aperto de mãos. Kim atravessou a marca de cimento para se tornar o primeiro líder norte-coreano a pisar no solo do sul. A imagem dos dois líderes caminhando e conversando juntos em uma ponte tem muita força dentro do imaginário coreano, onde a cena é interpretada como um momento de transição em que um passado marcado pela divisão é deixado para trás e se avança em direção a um futuro compartilhado.

Alcance dos mísseis da Coreia do Norte
Alcance dos mísseis da Coreia do Norte

Depois da assinatura do livro de honra, as conversas começaram, em um ambiente descontraído, quase casual. Moon manifestou a esperança de visitar Pyongyang “em breve”; e Kim, a de ter reuniões frequentes. O líder norte-coreano recebeu com surpresa a notícia de que sua irmã, Kim Yo-jong, se tornou uma celebridade deste lado da fronteira após sua visita durante os Jogos Olímpicos em fevereiro. Ela, que estava na delegação norte-coreana, corou, segundo o porta-voz da Coreia do Sul, Yoon Young-chan.

Kim e Moon falaram sobre um possível acordo permanente de paz que encerraria a guerra (1950-1953) que os dois países ainda mantêm tecnicamente; sobre formas de melhorar as relações bilaterais e, principalmente, sobre os passos para a desnuclearização da Coreia do Norte.

A cúpula, a terceira da história entre dois líderes coreanos e a primeira em 11 anos, servirá para preparar a reunião prevista para maio ou junho entre Kim Jong-un e o presidente dos EUA, Donald Trump. Poucos analistas acreditam que o líder norte-coreano concordará em abandonar completamente um programa nuclear que considera uma garantia de sobrevivência de seu regime e de seu país.

Trump tuitou nesta sexta-feira, após o encontro entre os dois líderes, que “a guerra da Coreia chega ao fim”. “Os Estados Unidos e seu povo maravilhoso deveriam estar muito orgulhosos do que está acontecendo agora na Coreia”, escreveu ele em um tuíte. “Depois de anos furiosos de testes nucleares, está acontecendo uma reunião histórica entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, coisas boas estão acontecendo, mas só o tempo dirá”, disse ele em outra mensagem na rede social.

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