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Suposto operador do PSDB é preso sob acusação de ameaçar delatora

Paulo Preto, ex-engenheiro da Dersa, foi denunciado por desvio de dinheiro durante Governos tucanos

Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da Dersa, foi preso nesta sexta.
Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da Dersa, foi preso nesta sexta.

O ex-diretor da Dersa - estatal responsável pelas obras rodoviárias em São Paulo - Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, foi preso preventivamente na manhã desta sexta-feira pela Polícia Federal. Ele é suspeito de ser o operador do PSDB no esquema de propina investigado pela Operação Lava Jato. A juíza do caso, Maria Isabel do Prado, autorizou também um mandado de busca e apreensão na casa dele. A pedidos da força tarefa da Lava Jato, a Justiça determinou também a prisão preventiva de José Geraldo Casa Vilela, ex-chefe do departamento de assentamento da Dersa.

De acordo com a procuradora Thaméa Danelon, coordenadora da Lava Jato em São Paulo, ameaças feitas por Paulo Preto e Vilela, via terceiros, a uma ré colaboradora do inquérito em andamento no Ministério Público Federal fundamentam os pedidos de prisão preventiva. "As ameaças foram para que ela não falasse sobre os desvios de verba pública que ela presenciou e também praticou junto com a quadrilha", disse em coletiva de imprensa. “Se uma testemunha é ameaçada, pode deixar de falar a verdade. Isso comprometeria a busca das provas”, completou a procuradora, que não revelou o nome da ré.

Segundo depoimento ao MPF, essa investigada recebeu três ameaças, uma delas com violência física, todas realizadas por pessoas que ela não conhece, nos anos de 2015 e 2016. Em 2017, ao MPF, a ré colaboradora afirmou ter medo de Paulo e Geraldo e disse que mudou de casa várias vezes desde que decidiu colaborar com o MP.

No dia 22 de março, o engenheiro Paulo Preto foi denunciado pelo MPF, junto a outros quatro suspeitos, pelos crimes de formação de quadrilha, inserção de dados falsos em sistema público e peculato. A procuradoria acusa o ex-diretor e o grupo de desviar, entre 2009 e 2011, o equivalente a 7,7 milhões de reais, em valores da época, na forma de dinheiro em espécie e de imóveis. O montante seria destinado ao reassentamento de pessoas desalojadas pela Dersa para a realização das obras do trecho sul do Rodoanel, o prolongamento da avenida Jacu Pêssego e a Nova Marginal Tietê, na região metropolitana de São Paulo.

A procuradora Thaméa Danelon explicou que o inquérito foi encaminhado à força-tarefa da Operação Lava Jato por envolver recursos federais. Além disso, segundo ela, o grupo apura irregularidades em outras obras no Estado de São Paulo.

Além da denúncia do última dia 22, o engenheiro já é alvo de dois outros processos que tramitam no STF, em casos que envolvem o chanceler Nunes, Serra e Gilberto Kassab (PSD). Mas um dos maiores problemas do engenheiro – e dos tucanos de seu círculo próximo – são documentos enviados pelo Ministério Público da Suíça que o colocam como titular de contas em offshores que somam 113 milhões de reais. O montante, incompatível com seus ganhos, reforça a tese de que Souza seria operador de propinas, uma vez que teria bom trânsito com empreiteiras. As autoridades brasileiras podem rastrear a origem e o destino final dos valores que passaram pelas contas atribuídas a Souza, levando a outros nomes do partido, por exemplo.

A prisão coloca o PSDB paulista no centro dos holofotes da Lava Jato. Além de ter trabalhado na gestão de Serra e do governador Geraldo Alckmin, pré-candidato do partido à presidência da República este ano, Paulo Preto também é próximo do chanceler tucano Aloysio Nunes. O engenheiro foi citado por delatores ligados às empreiteiras OAS e Andrade Gutierrez, e também pelo lobista Adir Assad. Depois da notícia da prisão, o PSDB afirmou, por meio de nota, que "em tempo algum teve qualquer vínculo com o sr. Paulo Vieira de Souza". "O partido mantém seu total apoio às investigações e espera que o caso seja elucidado o mais rapidamente possível e os culpados, punidos de acordo com a lei".

Em nota, a defesa de Paulo Preto afirmou que a prisão não tem qualquer relação com a Operação Lava Jato. Para a defesa, a medida é arbitrária, sem fundamentos legais, além de desnecessária diante do perfil e da rotina do investigado, sempre à disposição da Justiça.

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