Seleccione Edição
Entra no EL PAÍS
Login Não está cadastrado? Crie sua conta Assine

Morre Linda Brown, a menina que acabou com a segregação racial nos colégios dos EUA

Essa mulher do Kansas, falecida aos 76 anos, abriu o caso que fez com que o 'apartheid' nas escolas fosse proibido

Linda Brown
Foto de 1954 mostra Linda Brown no colégio contra o qual entrou na Justiça. AP

Linda Brown, uma mulher do Kansas que na década de 1950 deu nome à ação que acabou com a segregação racial nas escolas dos EUA, morreu nesse final de semana aos 76 anos, de acordo com o jornal de sua cidade natal The Topeka Capital Journal. Quando tinha somente 9 anos se transformou em um símbolo dos direitos civis pelo caso Brown v. Board of Education (Brown contra a Junta de Educação de Topeka), que acabou com as escolas separadas para brancos e negros. Mas Brown é o sobrenome de seu pai, que foi quem entrou com a ação. Porque ela era mulher e criança, dois motivos a mais para a discriminação. Um porta-voz da funerária de Topeka Peaceful Rest Funeral Chapel confirmou que Brown morreu no domingo de causas não reveladas.

Nascida em Topeka, a capital do Kansas, Brown tinha 9 anos quando seu pai, o reverendo Oliver Brown, tentou matriculá-la em 1950 na escola pública primária mais próxima à casa de sua família, instituição que era reservada a brancos. Era a escola Summer School.

A pequena Linda foi recusada pela cor de sua pele e obrigada a entrar em um colégio para negros, muito mais longe de sua casa. Nessa época, a maioria dos Estados do Sul dos Estados Unidos podia separar os estudantes por motivos raciais.

O pai de Linda recorreu da lei do Kansas que permitia às cidades com mais de 15.000 habitantes estabelecer escolas separadas. O longo caso judicial aberto foi apoiado e promovido pela Associação Nacional ao Avanço das Pessoas de Cor (NAACP, em inglês), uma organização fundada em 1909 para defender os direitos dos negros.

Quatro anos depois, veio a histórica sentença “Brown v. Board of Education”, em que o Supremo Tribunal acabou com a doutrina “segregada, mas igual” vigente na educação pública norte-americana desde 1896. Em 17 de maio de 1954.

Linda Brown
Linda Brown, à direita, com seus dois filhos em sua casa em Topeka, 30 de abril de 1974. AP

O Supremo determinou que “separar (as crianças negras) de outras de idade e qualificações semelhantes unicamente por sua raça causa um sentimento de inferioridade em relação à posição na comunidade que pode afetar seus corações e mentes de uma maneira improvável de ser revertida”. Concluiu, também, que a segregação era uma prática que violava a cláusula de “proteção igualitária” que estava na Constituição. Ainda que Brown tenha sido o nome, a ação agrupava numerosos casos reunidos pela NAACP de estudantes afro-americanos recusados em instituições educativos por todo o país.

Em uma entrevista à rede PBS em 1985 em razão do 30º aniversário da sentença, Brown disse “sentir” que a decisão do Supremo teve “um impacto em todas as facetas da vida das minorias em todo o país”. “Eu penso em termos do que isso significou aos nossos jovens, na eliminação desse sentimento de cidadãos de segunda classe. Acho que fez com que os sonhos, as esperanças e as aspirações de nossos jovens sejam maiores hoje”, acrescentou.

De acordo com o The Washington Post, a escola Summer School, que recusou sua matrícula em 1950, tentou negá-la novamente no mesmo dia de 1954 em que o Supremo proibiu a segregação.

MAIS INFORMAÇÕES