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Trump demite Rex Tillerson e entrega comando das relações exteriores à diretor da CIA

Secretário de Estado foi exonerado do cargo após meses de indisposição com o presidente

O secretário de Estado, Rex Tillerson, em uma coletiva de imprensa em México o passado fevereiro.
O secretário de Estado, Rex Tillerson, em uma coletiva de imprensa em México o passado fevereiro.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abriu nesta terça-feira uma nova crise no seu turbulento gabinete. Poucos dias depois de aceitar de forma surpreendente um convite para se reunir com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, o mandatário republicano demitiu o seu secretário de Estado (chanceler), Rex Tillerson, e anunciou sua substituição pelo atual diretor da CIA, o falcão Mike Pompeo. “Mike Pompeo, diretor da CIA, será nosso novo secretário de Estado. Fará um trabalho fantástico. Obrigado a Rex Tillerson por seus serviços! Gina Haspel [atual diretora-adjunta da CIA] será a nova diretora da CIA, e a primeira mulher a alcançar esse cargo. Parabéns a ela!”, escreveu o presidente norte-americano em um tuíte.

O solavanco, mais um num dos Governos mais turbulentos da história dos Estados Unidos, cristaliza uma distância que já era bem conhecida. Tillerson, antigo dirigente da petroleira Exxon, havia causado espanto desde as primeiras semanas com Trump. Reflexivo e acostumado a acordos de longo prazo, sua gestão se viu pulverizada pelo estilo Trump. Os intempestivos tuítes do presidente e seu afã por assumir cada passo do mandato diplomático aprofundaram essa distância e fizeram surgir em Washington o termo Rexit.

A má relação ficou evidente quando em julho vazou a informação de que, depois de um desentendimento com o presidente, Tillerson, desesperado, disse a sua equipe que ele era um "estúpido”. Uma afirmação que nas reiteradas entrevistas que deu nunca desmentiu. E que levaram Trump a humilhá-lo publicamente com o seguinte comentário: “Acho que é informação falsa; mas se ele disse isso, então suponho que teremos que comparar nossos coeficientes de inteligência. E posso garantir a vocês quem vai ganhar”.

Essa desfeita transcende o pessoal. Trump impôs seu rolo compressor onde foi possível no Departamento de Estado. Cortou 30% de seu orçamento e vez ou outra mostrou seu desagrado com as diretrizes de Tillerson. Isso aconteceu com a tentativa de romper o acordo nuclear do Irã, que o secretário de Estado salvou a duras penas graças ao apoio do conselheiro de Segurança Nacional, Herbert McMaster, e ao secretário de Defesa, James Mattis.

Os desentendimentos eram notórios e desde novembro tinham transformado Tillerson em um homem morto. Sua falta de carisma e o escasso respaldo que possuía dentro de um corpo diplomático que o via como um estanho acabaram por precipitar sua saída.

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