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O amor oculto de Winston Churchill

Documentário diz que o primeiro-ministro britânico foi infiel à mulher com tia-avó de Cara Delevingne

Winston Churchill faz o sinal da vitória durante uma visita a Bradford em 1942.
Winston Churchill faz o sinal da vitória durante uma visita a Bradford em 1942. Getty Images

Em 4 de março, domingo, o mesmo dia em que Gary Oldman poderá ganhar o Oscar por sua magnífica encarnação de Winston Churchill no filme O Destino de uma Nação, um documentário do canal britânico Channel 4 ameaça desenterrar um dos segredos mais bem guardados do mitificado ex-primeiro-ministro. Segundo revela Churchill's Secret Affair (“O Caso Secreto de Churchill”), o político, que esteve casado durante 57 anos e de quem nunca se soube de uma infidelidade, manteve um relacionamento extraconjugal nos anos 30 com Doris Castlerosse, uma viscondessa e famosa socialite da época, tia-avó da modelo e atriz Cara Delevingne.

A descoberta se baseia em uma investigação realizada por Richard Toye, professor de História na Universidade Exeter, e Warren Dockter, historiador da universidade Aberystwyth. Ambos começaram a juntar as peças depois de encontrar uma gravação de 1985 na qual sir John “Jock” Colville, que foi secretário particular de Churchill (cargo que também exerceu para a atual rainha da Inglaterra entre 1947 e 1949), confirmava em uma conversa com os arquivistas do Churchill College de Cambridge o que até então vinha sendo considerado um mero rumor. Segundo as palavras de Colville (que no documentário são expressas por um ator), “Winston Churchill não era um homem com um grande apetite sexual, muito pelo contrário, e não acho que em seus 60 ou 55 anos de vida matrimonial tenha cometido algum deslize, exceto em uma ocasião em que Lady Churchill não o acompanhava e à luz da lua no sul da França... o certo é que teve uma aventura com... lady Castlerosse acho que se chamava... Doris Castlerosse.

De acordo com o documentário, o affaire se consumou no Château de l’Horizon, a villa no sul da França da atriz Maxine Elliot, e se prolongou durante quatro verões entre 1933 e 1937, no momento em que a carreira de Churchill passava por seus períodos mais baixos. Ali, o político, que também era pintor apaixonado, teria retratado em até três ocasiões lady Castlerosse, e em um desses quadros ela aparecia recostada em uma chaise longue. O estadista também teria visitado a suposta amante em sua casa de Berkeley Square, em Londres; um ponto que é endossado no filme por Caroline Delevingne, sobrinha de Doris, ao contar que na família “se sabia que tiveram uma aventura”. “Quando Winston ia visitá-la, no serviço davam-lhe folga”, afirma.

Cara Delevingne na festa de Natal de Burberry em Londres, em dezembro passado.
Cara Delevingne na festa de Natal de Burberry em Londres, em dezembro passado. Getty

Doris Delevingne nasceu em Londres em 1900 no seio de uma família humilde e em 1928 se casou com o visconde Castlerosse, um antigo capitão do Exército que se tornou colunista de fofocas do Sunday Express. Foi uma união infeliz e as crônicas atribuem a ela incontáveis aventuras (incluindo uma com Randolph, o único filho homem de Churchill). O caso com Winston Churchill teria acabado em 1937, mas seus caminhos voltaram a se cruzar cinco anos mais tarde. Ele, já como primeiro-ministro, viajou a Washington para negociar com o presidente Roosevelt os termos do apoio norte-americano contra os nazistas. A aristocrata, divorciada e com problemas financeiros, vivia nos Estados Unidos desde 1940 e pediu ajuda a Churchill para regressar a seu país. Segundo o documentário, o mandatário se preocupava com o fato de um de seus retratos de lady Castlerosse, que estava em poder dela, poder ser usado para chantageá-lo ou manchar sua reputação, e interveio para conseguir para a dama — e o quadro — uma passagem de ida para Londres. Pouco tempo depois, em 9 de dezembro de 1942, Doris apareceu morta por uma overdose de soníferos — possivelmente acidental — em seu quarto do Hotel Dorchester.

No entanto, nem todo mundo está disposto a dar como certas as revelações do documentário. O jornalista e historiador Andrew Roberts, que no segundo semestre publicará a biografia Churchill: Walking with Destiny, afirmou em um texto na revista The Spectator que, mesmo tendo escutado a gravação de sir John Colvile, simplesmente não acredita nisso: “Quando ouvi a fita, decidi investigar as alegações detidamente e constatei que os fatos não os respaldam”. Roberts argumenta que Colville falava por ouvir dizer, já que só começou a trabalhar com Churchill em 1940; que o político pintou retratos de numerosas mulheres, desde a cunhada até a secretária; e que as cartas que Churchill e Castlerosse trocaram não apontam nenhuma prova conclusiva sobre a natureza romântica de sua relação. Ele conclui alegando que Churchill não deveria ser “a última vítima do fenômeno pós-Weinstein”.

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