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FMI alerta sobre risco de isolamento na América Latina

Eleições previstas para este ano em vários países podem prejudicar o crescimento no curto prazo

A diretora do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde.
A diretora do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde. EFE

A economia mundial e o comércio internacional ganham fôlego, o que é uma boa notícia para a América Latina. O bom desempenho de 2017 continuará em 2018, prevê Alejandro Werner, diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI). Mas a região não está livre de riscos. As eleições em muitos países criam incerteza, e as políticas isolacionistas ameaçam a recuperação em curso.

“Se há uma certa mudança de políticas, os agentes econômicos tendem a esperar para ver quais serão as novas prioridades”, afirma Werner, referindo-se aos casos do México e do Brasil. “As decisões importantes para os investidores ficarão adiadas até que se saibam quais são as regras do jogo para aproveitá-las melhor.” Isso, diz o especialista, costuma pesar nos anos posteriores às eleições.

A América Latina cresceu a uma taxa de 1,3% em 2017, um décimo a mais do que foi projetado em outubro. Este ano crescerá 1,9%, chegando a 2,6% em 2019. O aumento ocorre, em boa medida, porque Brasil, Argentina e Equador superaram a recessão. A única economia que se contraiu no ano passado foi a Venezuela – e repetirá esse desempenho em 2018. Sem levar em conta a Venezuela, a região cresceria 2,5%.

“O consumo e as exportações foram os principais fatores de crescimento”, explica Werner. “É animador constatar que o investimento já não é um peso.” Será, de fato, um elemento significativo para a aceleração nos próximos dois anos. Werner também cita o aumento do preço das matérias primas, que beneficia os países exportadores. E a inflação possibilita a política monetária.

Na análise por países, como já foi informado na última segunda-feira durante a apresentação das novas projeções, o Brasil crescerá 1,9% este ano e 2,1% em 2019, após a grave recessão de 2015 e 2016. Werner adverte, no entanto, que o resultado das eleições previstas para este ano é incerto e “poderia prejudicar o crescimento econômico”.

O México crescerá 2,3%, atingindo 3% em 2019. “O país se beneficiará com o crescimento dos Estados Unidos”, explica. O desfecho das negociações do acordo de livre comércio e as eleições presidenciais de julho impedem um rendimento mais sólido no curto prazo. O especialista espera que a inflação mexicana caia “drasticamente” na medida em que for reduzido o efeito do aumento dos preços dos combustíveis.

O crescimento da Argentina passará de 2,5% a 2,8% nos próximos dois anos. O Peru é o que se expande com mais vigor, com um crescimento projetado de 4% no mesmo período de referência. Colômbia e Chile crescerão 3% em 2018, graças à redução do impacto negativo da forte queda dos preços do petróleo e dos minerais industriais. Existe mais confiança entre as empresas.

A Venezuela é o exemplo negativo e tem um efeito desproporcional em toda a região. Sua economia vai se contrair 15%, após uma redução de 14% em 2017 e de 16,5% em 2016. Em relação a 2013, o país perdeu 50% do PIB. Os desequilíbrios são enormes, e a distorção é ainda maior. A inflação superou a marca dos 2.400% em 2017 e deve bater nos 13.000% este ano.

Werner volta a ressaltar que, no médio prazo, a região enfrenta o desafio de elevar seu crescimento potencial – que ele qualifica de decepcionante. “É preciso redobrar os esforços para construir margens de proteção e implementar políticas estruturais que eliminem as travas ao crescimento”, conclui, pedindo maior atenção à crescente dívida pública.

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