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Modelos masculinos acusam de abusos sexuais aos fotógrafos Testino e Weber

Supostas vítimas relatam no ´The New York Times' os assédios do retratista favorito de Gisele Bündchen e da família real britânica

O fotógrafo peruano Mario Testino.
O fotógrafo peruano Mario Testino. GTRES

Um amplo grupo de modelos masculinos e assistentes acusaram os célebres  fotógrafos Mario Testino, retratista de cabeceira de várias celebridades, como a princesa Diana, Madonna e Gisele Bündchen, e Bruce Weber, autor de campanhas de Calvin Klein e Abercrombie & Fitch, de abusos sexuais, segundo publicou o jornal The New York Times. Os representantes legais dos dois acusados se mostraram contrariados e surpresos com os depoimentos.

Testino, de 63 anos e origem peruana, contestou a credibilidade dos denunciantes por meio de seu escritório de advogados. No caso de Weber, não é a primeira acusação. No início de dezembro, já tinha sido acusado de agressão sexual pelo modelo Jason Boyce. Na ocasião, 15 modelos masculinos em atividade ou não que trabalharam com Bruce Weber descreveram ao jornal norte-americano uma série de comportamentos nos quais lhes era exigida nudez desnecessária e comportamentos sexuais coercitivos, com frequência durante as sessões de fotos.

Os depoimentos recordam, com notável consistência, segundo o jornal, sessões privadas com Weber nas quais supostamente lhes foi pedido que tirassem a roupa, sendo depois guiados por meio de exercícios de respiração e “energia”. Segundo seus testemunhos, Weber pedia aos modelos que respirassem e que tocassem tanto em si mesmos como em Weber, movendo as mãos onde sentissem sua “energia”. Com frequência, Weber guiava suas mãos com as dele. “Lembro que colocou seus dedos na minha boca, e me agarrou pela bunda”, conta o modelo Robyn Sinclair. “Nunca fizemos sexo nem nada, mas muitas coisas aconteceram. Um monte de passadas de mão. Muito abuso sexual”, afirma.

Em relação a Testino, 13 modelos e assistentes masculinos que trabalharam com o fotografo, um dos favoritos da família real inglesa e da revista Vogue, contaram que foram submetidos por ele a situações sexuais nas quais em alguns casos chegou-se aos toques e à masturbação. Testino, com mais de 40 anos de trajetória profissional, é autor de retratos como a foto na qual a tenista Serena Williams posa com seu bebê para a capa da edição de fevereiro da Vogue, e lançada esta semana. Também saiu da sua objetiva uma série de fotos da princesa Diana em 1997, publicadas na Vanity Fair.

“Foi um predador sexual”, conta Ryan Locke, top model no fim da década de 1990. Segundo seu testemunho, durante uma sessão de fotos Testino pediu a toda a equipe que saísse da sala para que ficassem a sós, e depois se atirou sobre ele. “Sou a menina, você é o menino”, disse a ele o fotógrafo, segundo seu depoimento, publicado pela agência AFP. O ex-assistente Hugo Tillman afirma que teve experiência similar enquanto outro, Roman Barrett, diz que Testino esfregou-se em sua perna e se masturbou na frente dele.

Os advogados dos dois receberam as acusações com surpresa e consternação. “Estou totalmente abalado e triste com as afirmações escandalosas que foram feitas contra mim, algo que nego totalmente”, afirmou Weber por meio de seu advogado. Lavely & Singer, a empresa de advocacia que representa Testino, discute a credibilidade das supostas vítimas de assédio e também afirmou que tinha falado com vários ex-funcionários que se mostraram “surpresos com essas acusações” e que “não podiam confirmar as alegações”.

Segundo The New York Times, quem se sentiu em situação de atenção não desejada percebeu que a escolha era clara: consentir e ser recompensado com um trabalho lucrativo em campanhas publicitárias, ou rejeitá-lo e ver sua carreira destruída. Muitos se negaram a falar publicamente, mas outros se deixaram fotografar e deram voz às denúncias.

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