Real Madrid x Barcelona

Uma década sem ‘pasillo’ no clássico espanhol

O Barcelona decidiu que não homenageará o Real Madrid no Bernabéu pelo título do Mundial de Clubes porque a equipe não participou da competição

O corredor do Barça ao Madrid depois da vitória na Liga em 2008.
O corredor do Barça ao Madrid depois da vitória na Liga em 2008.Luis Sevillano

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Lionel Messi, Sergio Ramos e Marcelo são os únicos três jogadores das atuais equipes do Real Madrid e Barcelona que estavam presentes no último pasillo – corredor feito pela equipe adversária para parabenizar uma conquista – realizado entre os dois clubes. Foi quase há uma década, em 7 de maio de 2008, quando o Barça de Frank Rijkaard homenageou a equipe branca no Bernabéu por ter vencido a Liga contra o Osasuna, na rodada anterior. Agora, após a conquista do Mundial de Clubes diante do Grêmio, o Real enfrenta o Barcelona no Campeonato Espanhol, e o centro da polêmica não passa por quem joga e quem não, e sim se deve haver um corredor. O clube azul-grená confirmou, por enquanto, que não haverá.

"Sempre deixamos claro que só fazemos isso quando participamos da competição, e não é o caso", afirmou no último domingo Guillermo Amor, responsável de Relações Institucionais do Barcelona. Por isso, quando o Madrid venceu a Supercopa da Europa contra o Manchester United em agosto deste ano, não houve corredor na partida seguinte, que foi o clássico no Camp Nou. Por sua parte, o técnico Ernesto Valverde destacou que "vão fazer o que o critério do clube diga" e minimizou sua relevância: "Não acho que seja muito importante".

Cristiano Ronaldo quer a homenagem. "Seria bonito, gostaria que o Barça fizesse o pasillo", disse entre sorrisos depois de conquistar o novo título e, imediatamente depois, minimizou a importância do gesto e destacou que o mais importante é ganhar no sábado para que "a Liga continue viva". Florentino Pérez, presidente do Real Madrid, foi na mesma linha e não deu muita importância ao assunto, dizendo que "se não o fizerem, isso não desmerece o título". Ainda assim, embora seus protagonistas tentem relativizar a questão, a homenagem continua a ser o ponto central da polêmica e quem parece ter a palavra final é o Barça de Ernesto Valverde.

Um Valverde que, coincidentemente, fez o pasillo uma vez ao Barcelona quando era técnico do Villarreal, em 2010. A equipe azul-grená, liderada então por Guardiola, conquistou o Mundial de Clubes contra o Estudiantes de la Plata, de Alejandro Sabella, naquele 2 a 1 histórico com o golaço de cabeça de Pedro no minuto 87 e o gol de peito de Messi na prorrogação. Após essa partida, ocorrida em Abu Dhabi – assim como o mais recente Mundial –, a equipe de Pep enfrentou a de Valverde no Camp Nou pela Liga e foi recebida pelos jogadores com aplausos. Em forma de corredor.

Exceto no ano passado, depois de a equipe de Zidane também vencer o Mundial de Clubes, e quando nem o Sevilla na Copa do Rei nem o Granada na Liga fizeram o corredor, nas outras ocasiões houve homenagem. Em 1998, 2002 e 2014, a equipe branca recebeu a homenagem depois de levantar esse mesmo troféu. O mesmo ao Barcelona em 2015. A única exceção foi em 2011, a pedido de Guardiola: "Pedi a eles que não nos fizessem o corredor. Já havíamos recebido o agradecimento no Japão. Essas coisas são servem para nada. Vencemos, comemoramos e depois de dois dias há outra partida para jogar", disse na época o atual treinador do Manchester City.

Há um antecedente que contradiz a explicação de Guillermo Amor de que "o corredor só é feito quando o Barça participa da mesma competição". Foi em 2006, quando o clube azul-grená fez o corredor homenageando o Sevilla depois deste vencer a Liga Europa. Um torneio do qual o Barcelona não participou, já que havia disputado a Champions. Javier Tebas, presidente da Liga, delegou na terça-feira toda a responsabilidade da decisão à equipe liderada por Messi: "Desconheço se há protocolos, se é preciso fazer corredores, aplaudir ou soltar balões. A decisão é do Barça e tem a ver com eles. O clube e as pessoas podem gostar ou não, mas eu não dou nenhuma importância".

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