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Primeiro-ministro iraquiano anuncia o “fim da guerra contra o Estado Islâmico” no Iraque

Haider al-Abadi assegura que suas forças controlam totalmente a fronteira com Síria

O primeiro-ministro iraquiano Haider al-Abadi em Paris. LUDOVIC MARIN
O primeiro-ministro iraquiano Haider al-Abadi em Paris. LUDOVIC MARIN AFP

O primeiro-ministro do Iraque, Haider al-Abadi, proclamou no sábado a vitória sobre o Estado Islâmico (EI), após as tropas iraquianas recuperarem o controle da fronteira com a Síria. “Anuncio o fim da guerra contra o Daesh”, disse, usando o acrônimo árabe do grupo. É uma grande notícia para o Iraque que nos últimos meses viu a redução da violência e deve realizar eleições gerais no ano que vem. Os militares, entretanto, se preparam para uma nova fase em que temem que os irredutíveis do grupo utilizem a guerra de guerrilhas e os atentados.

“Nossas corajosas forças armadas já asseguraram o controle da fronteira entre o Iraque e a Síria em toda a sua extensão. Derrotamos o Daesh graças a nossa união e sacrifício pela pátria. Viva o Iraque e seu povo”, publicou Al Abadi no Twitter, após dar a noticia em uma conferência do sindicato de jornalistas. Daesh é o acrônimo em árabe do EI, preferido pelos que o combatem porque nega ao grupo a menção de “Estado Islâmico” ou califado, que é a pretensão de seus ideólogos.

Pouco antes, o chefe do comando conjunto de operações, o general Abdul-Amir Yarallah, anunciou que o Exército iraquiano e as Unidades de Mobilização Popular (milícias auxiliares) conseguiram libertar, com o apoio da aviação iraquiana, a planície de Al Jazira, entre as províncias de Nínive e Al Anbar. As forças iraquianas controlam, portanto, os 435 quilômetros de fronteira entre as passagens de Al Walid, a oeste, e Rabia, no norte.

O EI conseguiu controlar quase um terço do Iraque durante o primeiro semestre de 2014, a partir da base estabelecida na Síria (por conta da guerra civil) e aproveitando o descontentamento da comunidade árabe sunita majoritária no noroeste do país. Ao mesmo tempo, seu líder, Abu Bakr al-Baghdadi, proclamou o califado sobre um território entre os dois países equivalente à metade da Península Ibérica e no qual viviam oito milhões de pessoas.

A reação ao desafio sem precedentes desse grupo que mesclava insurgência e terrorismo sob o estandarte de sua peculiar jihad levou à formação de uma coalizão internacional, sob as ordens dos EUA, que foi crucial em sua derrota. Desde então, as forças armadas iraquianas, treinadas pela coalizão e com o apoio das milícias auxiliares (essencialmente xiitas e hoje integradas formalmente no organograma militar) conseguiram recuperar o território perdido.

A vitória anunciada agora estava cantada desde a queda de Mossul, em julho, após nove meses de combates que deixaram a segunda maior cidade do Iraque praticamente destruída. Ao mesmo tempo, na Síria, uma aliança de forças lideradas pelos curdos e com apoio dos EUA tomou Raqa, que foi a capital do califado, em setembro, e há dois dias o Exército russo declarou que cumpriu sua missão ao derrotar o EI.

A batalha, entretanto, não acabou. As forças que combateram o grupo nos dois países esperam agora uma fase de guerra de guerrilhas, tática que já foi utilizada antes. Os analistas alertam também que o EI mantém sua capacidade de realizar atentados espetaculares a partir da clandestinidade, tanto no Iraque como em outros países. Existem informações de que parte dos jihadistas se dispersou nas áreas rurais da Síria, enquanto outros cruzaram a fronteira com a Turquia. Mas também não é possível descartar a existências de células inativas dentro do próprio Iraque.

De fato, mesmo com a mudança da natureza da luta, o Exército já anunciou sua intenção de lançar uma operação em Wadi Hawran, um vale localizado a oeste do rio Eufrates e que se estende até as fronteiras com a Arábia Saudita e a Jordânia. Ao que parece, o EI mantém nesse deserto pedregoso, com gargantas de até 200 metros de profundidade, esconderijos e depósitos de armas.

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