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Cristina Kirchner ou a hora da justiça

Argentina deve investigar todos os casos duvidosos do período kirchnerista

Cristina Fernández de Kirchner, nesta quinta-feira em Buenos Aires.
Cristina Fernández de Kirchner, nesta quinta-feira em Buenos Aires. REUTERS

A hoje senadora Cristina Kirchner era presidenta da Argentina em 2013 quando seu Governo assinou um memorando com Teerã que permitia ao Irã interrogar os suspeitos do atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), que fez 85 mortos em 1994. Esse documento nunca entrou em vigor porque o Irã não o ratificou, mas foi a base das investigações do procurador Nisman, que apresentaria suas conclusões ao Congresso quando foi morto a tiros em sua casa, em Buenos Aires, em janeiro de 2015. E agora o é no caso reaberto pelo juiz Bonadio. O magistrado acusou a ex-presidenta de suposta “traição à pátria” e “encobrimento agravado” por tentar dar impunidade aos terroristas e pediu a suspensão do foro privilegiado ao Senado para poder prendê-la. A ex-presidenta também foi denunciada por corrupção em outro caso.

Em uma primeira reação, Cristina Kirchner acusou o atual presidente, Mauricio Macri, de conspirar contra ela. O certo é que algumas novidades permitiram retomar o caso sem que isso implique em politizar a atuação da justiça.

Se a investigação sobre a morte do promotor Nisman quatro dias depois de atribuir a Kirchner um plano para dar imunidade aos iranianos determinou na ocasião que foi um suicídio, em setembro uma nova perícia concluiu que ele foi assassinado. E o juiz Bonadio reabriu o caso que havia sido arquivado em 2015. Ele convocou 14 investigados e ordenou que a ex-presidenta fosse processada. Como possui imunidade parlamentar por ser senadora, o juiz pede a suspensão do foro privilegiado de Kirchner para que sejam esclarecidas as responsabilidades em um triste capítulo da história argentina e sua submissão, como todos os cidadãos, a uma justiça que já sentou no banco dos réus vários altos funcionários do kirchnerismo por corrupção. É hora de dissipar a névoa de enriquecimentos ilícitos que cercou seu mandato.

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