Americanos desaparecidos após ataque de piratas se esconderam na selva amazônica

Casal que viajava o mundo com as duas filhas crianças vai voltar aos Estados Unidos Segundo a polícia, eles só deixaram floresta ao ter certeza de que havia policiamento perto

A família, após ser atendida em um hospital local.
A família, após ser atendida em um hospital local.

A família norte-americana que desapareceu no Pará após a balsa onde estava ser atacada por piratas se escondeu na mata por quase três dias, se alimentando de frutas e de insetos. Segundo a polícia, eles deixaram a embarcação por medo de que os criminosos retornassem e só saíram do esconderijo quando tiveram certeza de que a força policial, que fazia buscas com o auxílio de um helicóptero, estava presente. Eles passaram por atendimento médico e devem agora retornar para os EUA.

Adam Harris Heart, de 39 anos, Emily Faith Heart, 37, e suas duas filhas de seis e três anos, viajavam pelo continente americano há cinco anos a bordo de uma van. No último domingo, eles embarcaram em Belém, capital paraense, na balsa Andorinha, com destino a Macapá (Amapá). À tarde, quando a embarcação passava pelo município de Breves (também no Pará), piratas a abordaram e assaltaram os passageiros. A família, então, desapareceu, deixando para trás o veículo pessoal. Os quatro só foram encontrados pela polícia na quarta-feira. As crianças estavam desidratadas, com insolação e febre e todos possuíam muitas picadas de mosquito.

Nesta sexta-feira, o casal prestou um longo depoimento à polícia. Segundo a delegada responsável pelo caso, Vanessa Macedo, eles afirmaram ter se assustado com a abordagem violenta dos criminosos, disseram ter sofrido ameaças e foram presos por algumas horas em uma área reclusa do barco. Por volta de 1h da madrugada de segunda-feira, quando eles perceberam que os criminosos não estavam na balsa, fugiram pelo rio apenas com um kit de sobrevivência usado na viagem e uma prancha de Stand Up Paddle (um pouco maior que uma prancha regular de surf). "Naquele momento, eles acharam que ainda estavam correndo perigo e, por isso, fugiram", explicou a delegada, que ressalta que eles ficaram com receio de serem mortos. "Como em vários momentos os piratas saíam da balsa para levar mercadorias, a família achou que eles pudessem voltar", afirma ela, que disse que eles tiveram medo também de que os ribeirinhos pudessem estar em conluio com os criminosos.

Durante o período em que permaneceram na mata, o casal cruzou o rio diversas vezes, com as crianças em cima da prancha. Eles foram localizados quando a polícia foi informada de que eles haviam solicitado socorro a uma embarcação que passava. Após o resgate, todos foram encaminhados a um hospital da região sem grandes ferimentos, além das muitas picadas de insetos. Emily também foi tratada de uma torção no pé, anterior ao episódio do roubo. Depois de prestar depoimento nesta sexta-feira, a família embarcou para Brasília, acompanhada de membros da embaixada dos Estados Unidos, que também será responsável por levar a van da família aos EUA. Adam, Emily e as crianças também devem retornar ao país.

Até o momento, quatro piratas já foram identificados pela polícia, que acredita que sete criminosos tenham participado do roubo. Ninguém foi preso até o momento. A delegada afirma que o ataque de criminosos a embarcações na Amazônia se tornou comum, especialmente contra aquelas que transportam cargas, que depois são revendidas no mercado negro. Segundo uma reportagem de julho deste ano do jornal O Estado de S. Paulo, o prejuízo causado por estes criminosos às empresas que fazem transporte de carga pelos rios da Amazônia chega a 100 milhões de reais por ano. O alvo preferencial são os barcos que levam combustíveis e eletrônicos da Zona Franca de Manaus.

Viagem pelo mundo

Adam, Emily e as duas filhas pequenas, Colette (6 anos) e Sierra (3), viajam desde 2012 pelo continente americano. Eles deixaram a Califórnia em outubro de 2012 em uma van Westfalia, onde também dormem, rumo à América do Sul. Ela é designer de moda, e ele artista e fotógrafo. Sierra nasceu já durante a viagem, em Florianópolis, em junho de 2014. No Brasil, eles já passaram pelo Rio, Pantanal, Sul e Nordeste. Também já visitaram Peru e Bolívia, entre outros países. A aventura é compartilhada no projeto Ouropenroad (nossa estrada aberta, em tradução literal), que possui uma conta de Instagram e um blog, onde eles também comercializam produtos regionais que compram nas viagens.

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