Incêndios

Incêndios florestais deixam 3 mortos na Galícia

Chamas avançam sem controle e ameaçam casas em três províncias do noroeste da Espanha

As chamas na área de de Valadares.
As chamas na área de de Valadares.Lavandeira jr (EFE)

Três pessoas morreram neste domingo devido à onda de incêndios em diversos pontos da Galícia, no noroeste da Espanha. Os bombeiros encontraram dois cadáveres no interior de um veículo queimado numa estrada vicinal da localidade de Nigrán (província de Pontevedra). A terceira vítima é um morador de 78 anos do vilarejo de Abelenda, em Carballeda de Avia (província de Ourense). O corpo dele foi achado em um galpão atrás de sua casa, onde o homem tentava apagar as chamas de um curral para salvar seus animais. Durante várias horas, dois moradores da aldeia foram dados como desaparecidos, pois se negavam a deixar suas casas, cercadas pelo fogo. Por volta de 4h (0h em Brasília), as equipes de emergência localizaram essas pessoas salvas.

As chamas cercam Vigo, a cidade mais populosa da Galícia. A Prefeitura recomendou à população das áreas ameaçadas pelo fogo que deixem suas moradias e se transfiram para o núcleo urbano, onde três hotéis foram preparados para receber os desabrigados.

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A situação na Galícia é crítica. As chamas colocaram em xeque os recursos de combate a incêndios na região, num dia de ventos fortes e oscilantes, altas temperaturas e brigadas com menos pessoal do que no meio do ano. “Os incendiários estão beirando o homicídio”, afirmou o presidente da Xunta (Governo regional), Alberto Núñez Feijóo.

Os focos se espalharam pelas quatro províncias galegas ao longo do dia, e o Governo regional, com suas brigadas reduzidas devido à demissão de 436 bombeiros no meio do ano, optou por se concentrar nos três pontos mais críticos para a população. O sul da província de Pontevedra, uma área densamente habitada, vive a situação mais caótica, com a declaração de estado de emergência em nível 2 por causa da ameaça a moradias em cinco municípios (Pazos de Borbén, As Neves, Salvaterra do Miño, Baiona e Gondomar).

O avanço do fogo no sul de Pontevedra deixou Vigo sob uma intensa nuvem de fumaça e cinzas, o que obrigou a fechar estradas e desalojar moradias em localidades como Gondomar. Na pequena localidade de Vincios, também no município de Gondomar, a polícia precisou arrombar as janelas de algumas casas para retirar idosos quando as chamas se aproximavam, segundo a agência espanhola de notícias Europa Press. A circulação foi interrompida na rodovia A-52, sentido Vigo, por causa da proximidade do fogo. Houve um imenso engarrafamento e cenas de pânico entre os motoristas.

A secretaria galega do Meio Rural disse haver uma “clara intencionalidade” por trás dos incêndios. O foco de Pazos de Borbén teve início no vizinho município de Ponteareas no começo da madrugada de domingo, quando os veículos de combate ao fogo já não podiam atuar, “com quatro focos consecutivos ao lado de uma estrada”, segundo a Xunta. Por volta do meio-dia, o incêndio já havia consumido 1.500 hectares, parte deles na localidade da Redondela, e avançava numa frente de quatro quilômetros. À tarde, a área total devastada no fim de semana já superava os 4.000 hectares, mas a cifra ainda deve crescer. Em seu último balanço, a Xunta não citava nenhuma informação sobre o tamanho do território incendiado.

Desde a sexta-feira, a Galícia registrou 146 incêndios, sendo 28 na noite de sábado para domingo, quando a aproximação do furacão Ophelia pelo Atlântico provocou fortes ventos. “Estamos fazendo tudo o que é possível, sobretudo para proteger o mais importante, as vidas humanas”, assinalou Ángeles Vázquez, secretária de Meio Rural da Xunta, que se deslocou ao foco de Pazos de Borbén para supervisionar os trabalhos de combate ao fogo.

Há focos dispersos por todo o território da Galícia, que provocaram a mobilização de 350 brigadas, 220 bombas de água e cerca de 20 aeronaves, além de 160 membros da Unidade Militar de Emergências (UME). Essa onda de incêndios outonais na Galícia – a qual, nos últimos dias, já afetou locais importantes como o parque natural de O Xurés, na fronteira com Portugal – ocorre depois da redução das brigadas de combate a incêndios florestais, já que a Xunta recentemente despediu 436 brigadistas que haviam sido contratados apenas para o verão europeu. Outra circunstância que dificulta as tarefas de extinção é a proximidade dos violentos incêndios florestais procedentes de Portugal, que inclusive já “saltaram” o rio Minho, segundo a Xunta.

A meteorologia prevê chuvas na região nesta segunda-feira, o que seria uma trégua neste outono quente espanhol. Os restos do furacão Ophelia atingirão a Galícia em cheio, mas de forma breve, com pancadas de chuva e uma redução de mais de 10 graus na temperatura em várias áreas dessa região.

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