O programa da ultradireita alemã: uma nação fechada, fora da UE e sem direito ao aborto

AfD, partido de extrema direita que chegou ao Parlamento, defende a família alemã frente aos imigrantes

Os colíderes de AfD, Alexander Gauland e Alice Weidel, nesta segunda-feira.
Os colíderes de AfD, Alexander Gauland e Alice Weidel, nesta segunda-feira.Sean Gallup (Getty Images)

O júbilo na festa eleitoral do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), que conseguiu entrar no Bundestag no domingo com 12,6% dos votos, se transformou em êxtase quando os dois principais candidatos da agremiação, Alexander Gauland e Alice Weidel, subiram em um pequeno palco e anunciaram o objetivo que terão os 94 deputados do partido. "Queremos caçar Merkel e resgatar nosso povo e nosso país. Mudaremos este país!", prometeu Gauland. A primeira iniciativa da legislatura, segundo Weidel, será pedir uma comissão parlamentar para investigar Angela Merkel: "Violou as leis ao permitir a chegada de centenas de milhares de refugiados".

Além da provocação, o programa eleitoral da AfD, de 73 páginas, enfatiza quatro pontos: migração, exclusão do islã, fortalecimento da família alemã e saída do país da União Europeia. Veja os principais pontos:

A família e o povo alemão.

"A redução da nossa população ancestral deve ser combatida com uma política nacional de povoamento", diz o programa, que defende a proibição do aborto para promover a natalidade e assim garantir a continuidade do povo alemão.

Educação

O partido pede explicitamente a eliminação do ensino do islã nas escolas.

MAIS INFORMAÇÕES

Integração e asilo

A AfD exige o fechamento das fronteiras para proteger o país da chegada de migrantes não qualificados e a criação de uma força especial que proteja os limites das fronteiras. O partido exige a eliminação do direito de asilo na lei fundamental e se opõe a que os filhos de imigrantes nascidos na Alemanha tenham direito à nacionalidade alemã.

Expulsar um milhão de pessoas

O futuro líder do grupo parlamentar, Alexander Gauland, não evita declarações racistas. Um ano atrás, disse que Jerome Boateng, jogador do Bayern de Munique e da seleção alemã, de origem ganesa, era admirado por sua habilidade com a bola, mas ninguém queria ser vizinho dele por causa da cor de sua pele. No domingo ele disse que há mais de um milhão de pessoas que deveria deixar o país. "Quem possui um passaporte alemão, pertence à Alemanha. O resto são hóspedes", disse. "Não admitimos o passaporte duplo, porque não acreditamos na dupla nacionalidade", acrescentou. Outra frase impressionante: "No nosso programa não há nenhuma menção que deva preocupar os judeus, mas Israel é um país que vive em guerra e não acho que os alemães estejam dispostos a sacrificar vidas por esse país".

Segurança

O partido ultradireitista acredita que a maior ameaça à segurança interna vem do "terror islâmico internacional", que deve ser combatido com todos os meios legais possíveis. "A alta cota de refugiados muçulmanos representa um perigo crescente para nossa segurança", afirma o programa. A agremiação também sugeriu medidas alheias à legalidade, como permitir que a polícia atire contra migrantes que tentarem entrar no país clandestinamente.

Europa e política externa

A AfD assinala em seu programa que deseja uma Europa soberana e defende que a Alemanha abandone a União Europeia e restabeleça o marco [antiga moeda], objetivo pelo qual o partido nasceu. "A UE fracassou e a Alemanha deve sair da zona do euro", diz em seus postulados. A AfD também se opõe aos acordos de comércio exterior como o TTIP e o Ceta, é contra uma hipotética adesão da Turquia à UE e defende o cancelamento das negociações para a entrada deste país no clube comunitário. O partido também pede o fim das sanções contra a Rússia e é a favor de trabalhar de maneira mais estreita com o Governo de Vladimir Putin.

Impostos e finanças

A AfD se opõe a um possível aumento de impostos e reivindica a supressão do imposto sobre a herança. Além disso, o partido defende a redução do IVA dos atuais 19% para 7%.

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