Referendo sobre a Independência da Catalunha

Guarda Civil espanhola coordenará a polícia da Catalunha para evitar o referendo da independência

Coronel é nomeado ‘diretor técnico’ de toda a operação que lidará com os preparativos para a consulta ilegal e os incidentes que ela possa causar

Ato de campanha a favor do referendo sobre a independência na Tarraco Arena, em Tarragona
Ato de campanha a favor do referendo sobre a independência na Tarraco Arena, em TarragonaAlbert Garcia

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A Guarda Civil espanhola vai coordenar a polícia da Catalunha nas operações para evitar o referendo de 1º de outubro sobre a independência da Catalunha. A decisão foi anunciada neste sábado pelo procurador-geral da Catalunha, José María Romero de Tejada aos comandos de todas as polícias. O procurador também anunciou que o coronel da Guarda Civil Espanhola, Diego Pérez de los Cobos, fora nomeado como “diretor técnico” encarregado de coordenar os Mossos d’Esquadra (polícia regional catalã) no dia do referendo. Pérez de los Cobos é o responsável pela mobilização da Polícia Nacional e da Guarda Civil na Catalunha. Ambas já enviaram centenas de agentes à comunidade autônoma.

O coronel poderá “convocar e presidir” as reuniões de “planejamento e coordenação” dos diferentes dispositivos, mas estará obrigado a prestar contas à Procuradoria. O coronel também nomeará membros de sua equipe que exercerão funções idênticas no nível provincial com os comandos da polícia, da Guarda Civil e dos Mossos em cada um dos territórios.

Fontes do Ministério do Interior da Espanha negaram que a decisão da Procuradoria signifique retirar do Governo da Catalunha a competência sobre a polícia catalã, encarregada da manutenção da ordem pública na comunidade, e justificaram a medida afirmando que ela é necessária para melhorar a coordenação entre as distintas forças. Essas fontes insistem que os Mossos continuarão tendo autonomia total no restante das funções que desempenham.

A decisão chega depois de uma semana conturbada em que a Procuradoria não ocultou seu mal-estar com a atuação da polícia regional catalã, a quem acusa de não cooperar com os dispositivos enviados nos últimos dias por ordem das autoridades judiciais. O caso mais notório foi a entrada da Guarda Civil na sede do Departamento de Economia do Governo da Catalunha, em Barcelona.

Ali, onde chegaram a se reunir milhares de pessoas, foram destroçados três veículos do corpo armado e os agentes da Guarda Civil permaneceram assediados pelos manifestantes dentro do edifício durante quase 24 horas. Foi necessário criar um corredor de seguranças para que os guardas civis pudessem abandonar o lugar.

Por que a Catalunha quer a independência?

A Catalunha soma 19% do PIB da Espanha e 12% da população do país. Embora nunca tenha sido independente, tem uma língua e algumas características culturais próprias. Desde o começo do século 20 cresceu na região um movimento nacionalista, que já nos anos 30 tentou declarar a independência de forma unilateral. Após a recuperação da democracia na Espanha, em 1979, a Catalunha conseguiu uma grande autonomia do poder central. Ao longo desses anos, os nacionalistas sempre estiveram no Governo da região. Nessa época, eles cobravam mais soberania e sobretudo mais dinheiro, alegando que contribuíam desproporcionalmente com o caixa comum de toda a Espanha. Afirmavam que estariam arcando com o custo do desenvolvimento das regiões mais pobres. Embora exigissem o reconhecimento nacional da Catalunha, os grupos nacionalistas aceitavam continuar dentro da Espanha desde que conseguissem algum tipo de status político especial. Mas tudo mudou nos últimos dez anos.

A tensão na Catalunha vem aumentando devido à intenção dos nacionalistas, que comandam o Governo regional, conhecido como Generalitat, de fazer o referendo apesar de essa manobra ter sido considerada ilegal pelo Tribunal Constitucional da Espanha. A polícia já realizou operações para impedir a colocação de cartazes que convocavam a população a votar. Enquanto isso, o Governo da Espanha tomou o controle das contas da Generalitat. O Ministério Público ainda avisou que processaria todas as pessoas que colaborassem com a organização do referendo, dentre elas 712 prefeitos de toda a região, somando 948 municípios.