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Trump ordena que se estrangule a economia da Coreia do Norte

Presidente dos EUA adotará sanções às empresas estrangeiras que comerciarem com Pyongyang

Estrangular ao invés de disparar. Na quarta-feira, Donald Trump aumentou como nunca a pressão sobre a Coreia do Norte. Em uma tentativa de conter seu vertiginoso programa nuclear e balístico, ordenou sancionar qualquer empresa ou indivíduo que negocie com Pyongyang. O golpe afeta diretamente a China que, segundo Trump, foi avisada e inclusive tomou suas próprias medidas: "O Banco Central da China ordenou aos outros bancos que deixem de fazer negócios com Pyongyang".

Donald Trump com seu vice-presidente, Mike Pence, o secretário de Estado, Rex Tillerson, e o conselheiro de Segurança Nacional.
Donald Trump com seu vice-presidente, Mike Pence, o secretário de Estado, Rex Tillerson, e o conselheiro de Segurança Nacional. REUTERS

Trump acelerou novamente. Se na terça-feira ameaçou o regime de Kim Jong-un de "destruição total", na quarta-feira levou ao extremo os mecanismos de pressão econômica. Proibiu por 180 dias a entrada nos EUA de navios e aviões que visitaram a Coreia do Norte e ordenou um regime de sanções que, se for aceito pela China, significa o estrangulamento de fato de Pyongyang.

"O desenvolvimento armamentista e balístico da Coreia do Norte é uma grave ameaça contra a paz e a segurança de nosso mundo. É inaceitável que se dê apoio financeiro a esse regime criminosos que não respeita sua própria população e a soberania de outras nações. Por isso, uma ordem executiva cortará as fontes de financiamento do esforço armamentista da Coreia do Norte. E o secretário do Tesouro, Steve Mnuchin, poderá voltar sua mira a qualquer entidade que realize transações comercias com esse país", afirmou Trump pouco antes de sua reunião em Nova York com o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, e o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe.

O tirânico líder supremo, Kim Jong-un, está vendo ser colocada em prática diante de seus olhos a engenharia punitiva de Washington. Demagógico e ameaçador, cada passo seu recebe uma resposta mais contundente. Após testar no começo do mês uma bomba de hidrogênio de 250 quilotons, o Conselho de Segurança da ONU lhe aplicou uma nova rodada de sanções. E após o teste de um míssil que sobrevoou o território japonês, veio a ameaça direta dos EUA que seu enfrentamento pode acabar em conflito armado.

"Não se pode aceitar que essa quadrilha se arme com mísseis nucleares. Temos muita paciência, mas se formos obrigados a nos defender e a nossos aliados, não teremos outra opção a não ser destruir totalmente a Coreia do Norte. Já é hora de ele se dar conta de que abandonar o programa nuclear é seu único futuro. O homem foguete está em missão suicida consigo mesmo", disse o mandatário na terça-feira na Assembleia da ONU.

Foi um discurso beligerante, que mostrou um Trump fiel a suas essências radicais e que mostrou com clareza o caminho a seguir por sua Administração contra Pyongyang: castigos econômicos cada vez mais duros, mas também ameaças de aniquilação.

Coreia do Sul, pela via pacífica

O caminho das sanções é o preferido pelo grande aliado dos Estados Unidos na região do conflito. A Coreia do Sul teme uma solução militar que colocaria em perigo seu próprio território. Opta pelo castigo econômico como forma de abrir a negociação e conseguir com que Pyongyang abandone seu programa armamentista nuclear.

Essa linha foi expressada na quarta-feira pelo presidente sul-coreano, Moon Jae-In, em seu discurso na ONU. "É importante gerir a situação de forma estável: todos os nossos esforços devem ser destinados a prevenir o estouro de uma guerra e manter a paz. É preciso ter a cabeça fria e evitar escaramuças militares acidentais". Para Moon, o caminho a seguir é o das "sanções e a pressão". "Mas não queremos o colapso e a unificação por absorção e meios artificiais", afirmou.

Essa resposta militar, segundo os especialistas, é longínqua e improvável. Mas entrou na narrativa oficial com um objetivo definido. Tanto o presidente como o generalato veem nesse recurso uma arma de dois gumes: traçar um limite claro a Pyongyang e propulsar o caminho diplomático.

O resultado da combinação é uma incógnita. O Departamento de Estado acredita que o estrangulamento comercial, apoiado pela UE, pode derivar em uma solução semelhante à conseguida com o Irã. Mas também teme que os efeitos das sanções não sejam suficientemente rápidos para impedir que Pyongyang, que após oito rodadas punitivas da ONU não parou sua corrida armamentista, complete seu objetivo de possuir de um míssil nuclear intercontinental. Essa possibilidade alimenta o maior dos temores: que o enfrentamento se agrave e acabe em uma intervenção militar, ainda que cirúrgica. "Queremos ser responsáveis e esgotar todos os caminhos diplomáticos. Temos o apoio da Rússia e da China. Mas se isso não funcionar, o chefe do Pentágono, o general Jim Mattis, se encarregará do assunto", alertou a embaixadora estadunidense na ONU, Nikki Haley.

Esse último cenário é totalmente rejeitado pela Rússia e pela China. "A negociação é o único caminho para superar a crise", disse na quarta-feira o representante chinês na ONU. "A histeria militar pode levar à catástrofe", alertou o russo. Nenhum, entretanto, condenou as sanções econômicas.

Líder coreano chama Trump de "velho decrépito" e anuncia "a maior represália da história"

Imprevisível e explosivo. Kim Jong-un respondeu como um raio às sanções na noite de quarta-feira. Não só ameaçou “com as maiores e mais duras represálias da história”, como considerou suas palavras como a “maior declaração de guerra”. “Certamente vou domar com fogo o desequilibrado e velho decrépito americano. Longe de me assustar, sua intervenção me convenceu de que o caminho que escolhi é o correto e que tenho de levá-lo até o fim”, afirmou.

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