O fim do ETA

ETA abre debate interno para decidir sua “função” quando se dissolver

Grupo terrorista decidirá que papel assumirá para "acumular as forças" dos separatistas bascos

Dois encapuzados do ETA entregam o inventário de armas e explosivos a membros do grupo de verificação, em fevereiro de 2014.
Dois encapuzados do ETA entregam o inventário de armas e explosivos a membros do grupo de verificação, em fevereiro de 2014.

O grupo terrorista ETA anunciou nesta segunda-feira que já iniciou um debate interno para decidir qual será “a função e o ciclo da organização” depois do seu desarmamento, concluído em abril deste ano na Espanha. A direção do ETA (Pátria Basca e Liberdade, no idioma basco) disse que decidirá “o que deve fazer para que o processo independentista popular que se iniciou se desenvolva nas condições mais adequadas, a fim de facilitar a acumulação de forças para que consiga levar a cabo o direito a decidir”.

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O ETA divulgou nesta segunda um comunicado no jornal Gara em que anuncia ter iniciado um processo de debate interno no qual toda a organização “fará uma leitura olhando para trás, analisará sua história e o caminho realizado desde a mudança de estratégia até agora”. O grupo terrorista comunica que “partindo dessa base” olhará “para frente, para tomar decisões sobre a função e o ciclo do ETA”.

A cúpula da organização separatista admitiu que se encontra a um passo de declarar sua dissolução como organização terrorista, para se transformar em mais um agente na engrenagem do chamado “processo independentista popular” do País Basco. O ETA discute em seu seio a fórmula que empregará para pôr fim ao seu passado como grupo armado, adotando em lugar disso outra estrutura que lhe permita continuar desenvolvendo seu papel na política regional.

David Pla, interlocutor por parte do ETA e último chefe de seu braço político, anunciou em 18 de fevereiro, numa prisão francesa onde permanece encarcerado, que depois do desarmamento o grupo separatista iria se declarar como “organização desarmada” e abriria um processo de reflexão sobre seu futuro. Os dirigentes não descartam que, após oficializar sua desaparição como grupo terrorista, o ETA continue sua atividade como organização sócio-política desarmada.

Por último, o comunicado adverte de que “pode haver pressão político-midiática para condicionar negativamente as consequências e os benefícios do desenvolvimento do debate”, e observa que “a militância tem agora a palavra e a decisão sobre a proposta colocada sobre a mesa”.

O debate aberto pelo grupo ocorre num momento em que o coletivo de presos do ETA, conhecido pela sigla EPPK, já iniciou um processo de discussão interna depois de os detentos decidirem por maioria se submeterem individualmente à legislação para obter benefícios penitenciários e facilitar sua transferência para prisões mais próximas do País Basco. Apesar disso, os membros do grupo se recusam a pedir perdão pelos males causados e a colaborar com a Justiça espanhola para esclarecer atentados.