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Praias de uma ilha caribenha ficaram sem água com a passagem do furacão Irma

Estranho fenômeno meteorológico fez com o que o nível do bar baixasse em uma ilha das Bahamas

A magnitude do furacão Irma causa cenas que surpreendem até os meteorologistas. Um exemplo é o próximo vídeo, publicado no Twitter pela usuária @Kaydi_K no sábado. Mostra o litoral de Long Island, uma das ilhas que fazem parte das Bahamas. A água havia desaparecido.

Outro usuário publicou uma versão mais curta do vídeo duas horas antes, em que afirmava que a praia e o oceano haviam desaparecido. No vídeo eles entram vários metros no terreno em que normalmente fica o mar. Encontram animais marinhos e uma boia estendida no solo. Outro vídeo mostra uma cena parecida. De acordo com a descrição do vídeo, foi gravado na sexta-feira 8 de setembro em Grays, uma localidade do centro da ilha.

Na descrição do vídeo anterior, o autor afirma que gravou a cena “após a passagem da pior parte do furacão Irma. Eu dirigia pela região afetada quando cheguei à costa. Percebi então que não havia água no porto”, diz o autor, Adrian Wells.

A primeira reação dos especialistas ao verem o vídeo é afirmar que são os momentos anteriores a um tsunami, mas não é o caso. O meteorologista e autor de Os Porquês do Tempo no EL PAÍS, Jovi Esteve, afirma que nunca viu nada parecido.

A meteorologista do Washington Post, Angela Fritz, tem sua teoria particular sobre essas cenas. “Basicamente, o furacão Irma é tão forte e sua pressão tão baixa que está absorvendo a água dos arredores e enviando-a ao centro da tempestade”, explica. Ou seja, a água do oceano se concentra no olho do furacão, fazendo com que o nível do mar baixe em outras regiões do Caribe.

“No centro da tempestade, onde a pressão é extremamente baixa, a água é levada para cima. A pressão baixa funciona como um mecanismo de sucção. Absorve o vento, mas se é muito baixa, também pode mudar o formato da superfície do oceano. Ao mesmo tempo em que a tempestade atrai a água em direção ao centro, a retira de seus arredores”, acrescenta Fritz.

Esteve afirma que essa teoria lhe parece “a mais plausível”. Acredita, como Fritz, que a ausência da água na ilha das Bahamas se deve “a aumentos do nível no centro do ciclone e diminuições correspondentes nos arredores”. Outros veículos da imprensa como o The Telegraph e a NBC avalizam a teoria de Fritz.

A meteorologista previa que a água retornaria ao litoral sem causar danos. Um usuário do Twitter publicou imagens do antes e depois da tempestade, afirmado “não é a primeira vez que vemos algo assim”. Outros tuiteiros afirmaram o mesmo.

O furacão Irma é o mais potente já registrado no oceano Atlântico: seus ventos mais fortes alcançam os 295 quilômetros por hora e tem um diâmetro aproximado de 650 quilômetros, quase a dimensão da Espanha. Pelo menos 22 pessoas morreram pelos efeitos causados pela tempestade.

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