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Explicando a TV infantil brasileira dos anos 80 para as novas gerações

Estreia de 'Bingo', filme inspirado na vida do palhaço Bozo, leva aos millennials cenas que parecem saídas da ficção, mas que eram parte do surreal cotidiano dos anos 80

Bozo e Vovó Mafalda.
Bozo e Vovó Mafalda.

Um mosquito apelidado de Dengue, um anão vestido de tartaruga chamado de Praga, um palhaço que se drogava nos intervalos de gravação do programa, apresentadoras sensuais usando roupas curtíssimas e que chegavam a arrancar peças e jogar na plateia repleta de crianças: essas são cenas que se repetiam quase que diariamente na TV brasileira no horário dedicado à programação infantil na década de 1980. A chegada aos cinemas brasileiros de Bingo: O Rei das Manhãs (desde 24 de agosto em cartaz), filme inspirado na vida do palhaço Bozo, leva aos millennials cenas que parecem saídas da ficção, mas faziam parte do surreal cotidiano das crianças daquela época.

Em uma época diferente, onde a TV aberta disputava a tapa o público infantil - atualmente apenas o SBT possui programação diária voltada para as crianças - havia uma infinidade de apresentadores e personagens direcionados especialmente para os baixinhos como Bozo, Angélica, Vovó Mafalda e Mara Maravilha. Esses programas eram grandes apostas das emissoras e tomavam grande parte da grade. Alguns chegavam a durar 8 horas por dia, uma extensão que nenhuma outra atração possui hoje.

O palhaço Bozo, importado dos Estados Unidos e líder de audiência, posteriormente serviu de inspiração para a dupla de palhaços Patati e Patatá, que encantam a nova geração e também possuem uma gama de produtos licenciados.

A apresentadora Xuxa Meneghel pode ser considerada a maior responsável por esse fenômeno. Ela iniciou sua carreira na extinta TV Manchete com o programa Clube da Criança, em 1983. Depois migrou para a Rede Globo onde comandou o Xou da Xuxa, um fenômeno de audiência que permaneceu 6 anos no ar e foi exportado para mais de 17 países.

A apresentadora gaúcha, apelidada de Rainha dos Baixinhos, também ficou marcada por outros momentos, quando convidou uma tribo indígena para participar da apresentação do seu sucesso Brincar de Índio, em uma cena que pode ser classificada como constrangedora. Sua concorrente na época era Angélica que não fica atrás, já que a banda Cascavelletes apresentou sua canção Eu quis comer você para uma plateia de crianças no programa Clube da Criança.

A fiscalização sobre esse tipo de programa era pífia, então era comum ver cenas que hoje seriam consideradas, no mínimo, inapropriadas, como de Xuxa chamando uma das participantes do programa de “gordinha” e um outro de “ladrãozinho”. Ou de Bozo fazendo comentários hostis contra as crianças que passavam todo o dia penduradas no telefone esperando serem atendidas. Na maioria das vezes, à revelia de seus pais, pois devemos lembrar que na década de 1980, não havia smartphones (muito menos ao alcance das crianças) e as ligações, geralmente interurbanos feitos dos telefones residenciais fixos, custavam uma fortuna.

Em 2015 os apresentadores mirins do Bom Dia & Cia Ana Julia Souza, 8 anos e Matheus Ueda, 11 anos foram proibidos de trabalhar por uma decisão judicial. O show já havia sido comandado anteriormente por Maisa Silva, pela dupla Priscila Alcântara e Yudi e até mesmo por Angélica. Para efeito de comparação, a loira famosa por sua pinta preta na perna, começou sua carreira de apresentadora infantil aos 14 anos.

Alguns foram revividos muitos anos depois, com a Internet e se transformaram em memes, como foi o caso do “Aham Cláudia, senta lá”, que Xuxa direcionou para uma criança, que no fim das contas, nem se chamava Cláudia — a menina se chamava Érica. No vídeo que ficou famoso, a apresentadora não demonstra a menor paciência com a participante do programa. Ao que parece, os anos 1980 foram mesmo inesquecíveis para as crianças.

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