México deixará renegociação do Nafta se Trump cumprir ameaça de iniciar a saída do tratado

Chanceler diz ter 'plano B' caso Washington encerre acordo que une EUA, México e Canadá desde 1994

Videgaray durante reunião com Tillerson na quarta-feira em Washington
Videgaray durante reunião com Tillerson na quarta-feira em WashingtonJIM LO SCALZO (EFE)

O chanceler mexicano Luis Videgaray afirmou nesta quarta-feira que, se Donald Trump cumprir a ameaça de solicitar ao Congresso dos Estados Unidos o fim do Tratado de Livre Comércio (Nafta na sigla em inglês) – um processo que demoraria 60 dias –, o México se retirará imediatamente da mesa de negociação. A resposta do país latino-americano ao Governo norte-americano chega depois de um dia de reuniões entre o chanceler e o ministro da Economia, Ildefonso Guajardo, com altos funcionários norte-americanos.

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Após um encontro com seu homólogo norte-americano, Rex Tillerson, Videgaray insistiu que o México não negociará “nem o Nafta nem qualquer outro tema da relação bilateral através dos meios de comunicação ou das redes sociais”. E frisou que seu país vai se ater aos protocolos e canais estabelecidos. Apesar das recentes ameaças de Trump, tanto pelo Twitter como em discursos, o chanceler se mostrou otimista sobre o processo de renegociação do tratado comercial com os EUA e o Canadá. Na terça-feira, Guajardo admitiu que seu Governo já trabalha em um “plano B”, que seria acionado caso Washington desse por encerrado o tratado comercial que une EUA, México e Canadá desde 1994.

“Não podemos ser irresponsáveis e não ter um plano alternativo. Ao mesmo tempo que temos uma visão construtiva [de] que queremos levar esta negociação a bom porto”, disse Guajardo ao fim de uma reunião no Senado. “[O México] não pode ficar paralisado, simplesmente esperando que isto chegue a sua reta final”.

Todos os alarmes dispararam quando Trump questionou, em um tuíte matinal, a utilidade e a complexidade das renegociações do Nafta e acusou Canadá e México de estarem retardando o processo, iniciado em meados de agosto em Washington. Às vésperas da segunda rodada de reuniões – marcada para 1º a 5 de setembro na Cidade do México –, os encontros de quarta-feira serviram para que Videgaray e Guajardo fizessem “uma revisão geral das relações comerciais”. Ambos garantiram que os comentários de Trump não foram o motivo central da visita. Em Washington, os altos funcionários mexicanos também se reuniram com o secretário de Comércio, Wilbur Ross, com o representante comercial Robert Lighthizer e com um dos homens mais próximos a Trump, seu genro Jared Kushner, entre outros.

Em um breve cumprimento entre chanceleres com a presença da imprensa, o secretário de Estado agradeceu a Videgaray a ajuda oferecida após os danos causados pelo furacão Harvey, que assola o Texas há cinco dias. “Muito generoso da parte do México oferecer ajuda”, disse Tillerson, enquanto Videgaray ressaltou: “Somos vizinhos, somos amigos e é isso que fazem os amigos”.

Nenhum dos dois disse o montante da ajuda, nem Washington esclareceu se vai aceitá-la. Mas um funcionário norte-americano, segundo a agência AFP, afirmou que ambas as partes estão decidindo “a melhor maneira” de materializá-la. Em sua visita de dois dias a Washington, Videgaray também conversou com o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, general H.R. McMaster.

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