_
_
_
_

O ex-monge que enfrenta a gigante da beleza L’Oréal

A congregação dos carmelitas teresianos de Boston processa a companhia francesa por violar a patente de seu creme contra o envelhecimento

O monge Dennis-Anthony Wyrzykowski, à direita, com os doutores James Dobson e sua esposa Susan, no laboratório em que desenvolveram a fórmula do Easeamine.
O monge Dennis-Anthony Wyrzykowski, à direita, com os doutores James Dobson e sua esposa Susan, no laboratório em que desenvolveram a fórmula do Easeamine.Steven Senne (AP)

Dennis Wyrzykowski tem uma missão clara: acabar com a pobreza, o crime e os preconceitos que assolam sua comunidade em Boston. Entre suas várias iniciativas, este ex-monge da ordem Carmelita Teresiana criou uma rede de sociedades sem fins lucrativos cujas receitas financeiras destina a ajudar a educação dos marginalizados. “Dê um peixe a um homem e comerá um dia. Ensine-o a pescar e comerá sempre” é seu mantra.

Mais informações
Homens e cosméticos: respostas às cinco questões existenciais
Youtubers movimentam mercado dos cabelos cacheados na internet
O que um cosmético nunca poderá fazer por você
100 anos de tendências de beleza resumidos em um minuto

Uma dessas empresas são os laboratórios Carmel, que fundou quatro anos antes que o Vaticano deixasse de reconhecer a ordem. Agora recorre aos tribunais para proteger a patente de um creme contra o envelhecimento que desde 2009 vende com fins beneficentes e que foi desenvolvida pela Escola de Medicina da Universidade de Massachusetts. O alvo da ação é o grupo francês L’Oréal, a quem acusa de ter lhe roubado a tecnologia.

O creme se chama Easeamine. O cosmético para usar durante a noite é vendido a 138 dólares (cerca de 440 reais). Utiliza um agente biológico, a adenosina, para dar elasticidade à pele do rosto e do contorno dos olhos. A gigante dos cosméticos, segundo a ação, não conta com licença para vender a linha de produtos que utiliza a tecnologia. O monge também afirma que a L’Oréal sabia da existência dessa patente, mas, apesar disso, seguiu adiante com a venda de seus produtos.

Embalagens do creme Easeamine.
Embalagens do creme Easeamine.Steven Senne (AP)

Wyrzykowski afirma que criou o creme com o objetivo de que a mulher contemporânea seja capaz de aumentar sua beleza e sua , pretendendo criar, assim, uma conexão entre as consumidoras do creme ao torná-las membros da comunidade. O dinheiro que arrecada apoia o trabalho da congregação religiosa na assistência a toxicômanos e encarcerados, e ajuda a educação de jovens sem recursos. A L’Oréal, denuncia, está acabando com seu negócio e seu trabalho beneficente.

“Estão roubando dos pobres”, diz, sem precisar que compensação está buscando. A multinacional responde que a ação não tem fundamento e pede aos tribunais que seja desconsiderada. As duas partes em litígio estão há dois anos tentando resolver a questão sobre a propriedade da tecnologia. A Universidade de Massachusetts decidiu somar-se à ação legal para proteger o acordo de licença que tem com os laboratórios Carmel, mas vai além.

Não é a primeira batalha legal empreendida por esse ex-monge católico romano. Um ano antes de constituir-se como fundação, esta pequena comunidade religiosa acionou a American Tower pela propriedade de terrenos nos quais construiriam um monastério equipado com suas próprias turbinas eólicas para dar eletricidade a famílias de baixa renda. A congregação passava então por sérias dificuldade financeiras.

Mais informações

Arquivado Em

Recomendaciones EL PAÍS
Recomendaciones EL PAÍS
_
_