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Como foram preparados os atentados da Catalunha

Em auto, juiz detalha os passos dos terroristas antes e durante a matança

Atentado Barcelona
Operação policial no local do atentado de quinta-feira em Barcelona. EFE

Os terroristas que assassinaram 15 pessoas em Barcelona e Cambrils na quinta-feira passada vinham preparando “uma ação terrorista de grande escala” havia um ano. Na semana que precedeu o 17 de agosto, dia em que o radical Younes Abouyaaqoub fez seu percurso assassino pelas Ramblas, os jihadistas tiveram uma atividade intensa. O auto pelo qual o juiz Fernando Andreu ordenou a prisão de Driss Oukabir e Mohamed Houli Chemal estabelece a sequência temporal de uma semana trágica na Catalunha e descreve os preparativos dos atentados.

1 e 2 de agosto. Compra do material para os explosivos

Os terroristas compram uma “enorme quantidade de acetona”. O auto detalha que adquiriram 500 litros do produto químico, além de outros materiais para a confecção de artefatos explosivos. A acetona é uma das bases para fabricar o TATP (peróxido de acetona), a bomba preferida pelo Estado Islâmico e conhecida como “mãe de satã”. É destrutiva, mas volátil e muito sensível a mudanças de temperatura e a movimentos bruscos. Andreu não especifica como a compra da acetona foi feita sem levantar suspeitas.

13 de agosto. Viagem a Marrocos e França

Driss Okabir, agora preso e irmão de Moussa Okabir (17 anos, morto a tiros em Cambrils), aterrissa no aeroporto de Prat durante a greve dos funcionários de segurança. Chegou em um voo da Air Arabian procedente de Marrocos. Naquele mesmo dia, os terroristas retornaram de uma viagem à região de Paris (o auto de Andreu não especifica). Não se sabe o que fizeram em ambos os países

16 de agosto. A grande explosão de Alcanar

Manhã. Os terroristas vão em duas ocasiões a lojas da Telefurgo em Sabadell para alugar duas vans: uma foi utilizada no atentado das Ramblas e outra foi abandonada em Vic (Barcelona).

20h25. Os terroristas compram em San Carles de la Rápita (Tarragona) 15 fronhas e correias para, “muito provavelmente, acondicionar os artefatos explosivos em seu interior”. Pretendiam moldá-las no corpo para formar os cinturões explosivos. Restos dessas peças foram encontrados entre os escombros de Alcanar.

23h30. Uma enorme explosão sacode Alcanar. O estouro destrói um chalé da urbanização Montecarlo, em Alcanar Platja e provoca a morte de duas pessoas, uma delas é Abdelbaki Es Satty, o imã da mesquita nova de Ripoll, o homem suspeito de radicalizar os demais componentes da célula até transformá-los em assassinos. Estavam, acredita o juiz, manipulando os explosivos. Um segundo morto não foi identificado, mas se supõe que seja Youseff Aallaa.

17 de agosto. Dia do atentado em Barcelona

12h58. Mohamed Hichamy aluga uma Renault Kangoo na empresa Ruzafa de Partes del Valles (Barcelona). Ele também tinha alugado a van que depois foi abandonada em Vic.

15h25. Uma Renault Kangoo sofre um acidente no km 265 da rodovia AP7, em Cambrils. Era conduzida por Mohamed Hichamy (morto a tiros em Cambrils horas mais tarde).

16h30. Uma das vans alugadas na Telefurgo, conduzida por Younes Abouyaaqoub, atropela “uma grande quantidade de pessoas nas Ramblas de Barcelona”. O terrorista deixa o local a pé, atravessa o mercado de La Boquería e foge de Barcelona. Sabe-se que, mais tarde, esteve em um posto de gasolina de Santa Perpétua de la Mogoda (Barcelona). Matou 13 pessoas. Não está claro se isso foi antes ou depois de matar Pau Pérez para roubar seu carro.

18h50. Localizada sem ocupantes em Vic uma das duas vans alugadas pelos terroristas em Sabadell.

Depois do ataque. Segunda explosão em Alcanar. Durante a retirada dos escombros, uma segunda detonação fere vários bombeiros e policiais e um operário. O juiz escreve: “Em relação à explosão na moradia citada anteriormente, a posterior inspeção ocular e os objetos encontrados (grande quantidade de botijões de butano, produtos como acetona, água oxigenada, bicarbonato, grande quantidade de pregos para serem utilizados como metralha e detonadores para iniciar a explosão, entre outros) deixaram patente que naquele local estavam sendo confeccionados artefatos explosivos com a finalidade de cometer um ato terrorista de grande escala. Neste sentido, é significativo que a nuvem em forma de cogumelo que se produziu depois da explosão fosse visível a quilômetros de distância”.

No local também foi encontrada uma carta manuscrita, que aparenta ser um início de reivindicação dos ataques: “Em nome de Alá, o misericordioso, o compassivo. Breve carta dos Soldados do Estado Islâmico na terra de Al Andalus aos cruzados, odiosos, pecadores, injustos, corruptores”.

19h20. A polícia da Catalunha detém, no hospital de Tortosa, Mohamed Houli Chemlal, com documento de identidade espanhol. Estava internado por causa dos ferimentos que teve na explosão de Alcanar. Ele declarou que escapou da morte porque no momento do estouro estava lavando pratos no lado de fora.

21h26. Os terroristas compram em Cambrils quatro facas e um machado.

Tarde. Detenção de Dris Oukabir pelo aluguel da van do crime.

18 de agosto. Outra tentativa de matança em Cambrils

Depois da 1h da madrugada, cinco terroristas chegam a Cambrils em um Audi A3. Invadem o calçadão da orla, onde se deparam com uma patrulha dos Mossos, contra cuja viatura se chocam e capotam. “Os cinco ocupantes saíram armados com um machado e diversas facas de grandes dimensões” e o que parecia ser cinturões explosivos. Um seguiu em direção norte e quatro para o sul. Foram mortos a tiros da polícia, mas antes mataram uma mulher e deixaram outras seis pessoas feridas.

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