Trump ameaça impor “fortes ações econômicas” se Maduro realizar Constituinte

Para a Casa Branca, referendo da oposição foi “mensagem inconfundível” contra presidente venezuelano

O porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, na segunda-feira.
O porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, na segunda-feira.MICHAEL REYNOLDS / EFE

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Donald Trump aumenta a pressão contra o regime de Nicolás Maduro. Em um comunicado nesta segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos alertou o Governo chavista de que tomará “fortes e rápidas ações econômicas” se for mantida a convocação da Assembleia Nacional Constituinte no dia 30 deste mês.

No domingo o povo venezuelano voltou a demonstrar de forma clara que apoia a democracia, a liberdade e a lei. Suas ações corajosas e taxativas, entretanto, continuam sendo ignoradas por um péssimo líder que sonha se transformar em um ditador”, afirmou Trump. O presidente também afirmou que os EUA não permanecerão quietos diante da derrocada da Venezuela.

As declarações vieram um dia depois de mais de sete milhões de venezuelanos, dentro e fora do país, votarem em uma consulta popular organizada pelos líderes da oposição, a Mesa de Unidade Democrática (MUD), para testar seu apoio entre a população. O sucesso significa um repúdio à Assembleia arquitetada por Maduro para conseguir maior controle. Na segunda-feira, Freddy Guevara, um dos deputados e organizadores do plebiscito, anunciou que a oposição utilizará o apoio da população para justiçar a nomeação de novos juízes ao Supremo Tribunal e estabelecer um Governo de unidade nacional.

A ameaça de segunda-feira significa um endurecimento do discurso de Washington diante das ações do chavismo, que há meses tenta se aferrar ao poder com pequenas concessões como a recente libertação do líder oposicionista Leopoldo López. Também pressiona Maduro com uma data limite, obrigando-o a continuar ou voltar atrás com sua convocatória à Constituinte, que servirá para que Maduro aniquile a oposição e imponha um controle maior.

Até agora, os EUA lidaram com a crise na Venezuela – que desde o começo de abril tem o saldo de pelo menos 90 mortos e milhares de feridos – assumindo um papel de protagonista nas constantes denúncias da situação na Organização dos Estados Americanos (OEA). Além disso, o Governo de Trump realizou nos últimos meses novas sanções contra membros do chavismo como o vice-presidente Tareck El Aissami e os magistrados do Supremo Tribunal.

Essas medidas serviram para retirar de membros do chavismo o acesso a ativos e propriedades que estes pudessem ter nos EUA, bloqueando o seu acesso a recursos econômicos. Mas há meses o Governo norte-americano estuda aplicar sanções setoriais contra o país para exercer maior pressão sobre Maduro. Em particular contra indústrias como a petrolífera, que é um importante sustento econômico para o regime por estar sob seu controle. A PDVSA, a empresa estatal de petróleo venezuelano, é a terceira maior fornecedora dos EUA, razão pela qual havia escapado das sanções até agora.

O endurecimento dos EUA também chega após uma aparente brecada nos esforços multilaterais, que se viram frustrados quando a OEA – o órgão mais importante do continente – foi incapaz de aprovar em junho uma resolução de condenação contra o regime chavista. O fracasso, que marcou a reunião anual da organização e que não contou com a presença do secretário de Estado, Rex Tillerson, significou uma “decepção” aos EUA, de acordo com o vice-presidente Mike Pence.

Horas antes da mensagem de Trump, o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, insistiu na preocupação com a crise da Venezuela e aplaudiu a grande participação na consulta popular de domingo organizada pelos grupos oposicionistas ao presidente Nicolás Maduro. Spicer afirmou que o sucesso do plebiscito envia uma “mensagem inconfundível” ao regime chavista.

“Nós observamos o que aconteceu. Felicitamos o povo venezuelano pela grande participação no referendo de domingo”, afirmou Spicer. “Condenamos a violência dos grupos contra eleitores inocentes assim como os esforços do governo (de Maduro) para acabar com a democracia na Venezuela”, concluiu.

Ao mesmo tempo, o Departamento de Estado também divulgou sua própria declaração. “As vozes de milhões de venezuelanos não devem ser ignoradas”, escreveu uma porta-voz, pedindo aos demais países da América que façam um apelo para que Maduro anule a convocatória à Constituinte.

Em seus comunicados, o Governo dos EUA também voltou a solicitar a realização de eleições livres e justas no país bolivariano, tal como exigiram outros diplomatas norte-americanos desde o começo da última onda de protestos.

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