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Morte na Venezuela

Maduro não cede em sua tentativa de conservar o poder, apesar da deterioração da situação

Um manifestante, durante uma mobilização em Caracas no passado dia 23.
Um manifestante, durante uma mobilização em Caracas no passado dia 23.

O assassinato de um jovem durante um protesto contra Nicolás Maduro, cujas imagens foram amplamente difundidas, mostra sem panos quentes qual é a atitude do regime venezuelano ante a crise institucional que o país atravessa. Enquanto um agente da Guarda Nacional Bolivariana disparava praticamente à queima-roupa contra David Valenilla, causando a morte desse jovem de 22 anos, o presidente dizia cinicamente à imprensa internacional que sua polícia utiliza apenas “água e um pouco de gás lacrimogêneo” contra os manifestantes porque as armas letais “estão proibidas”. A cifra de mortos desde que começaram os protestos já chega a pelo menos 76, e aumenta quase diariamente.

Lamentavelmente, Maduro parece estar comodamente instalado nesta espécie de guerra de baixa intensidade contra os manifestantes à espera de que a população se amedronte ou se canse de protestos que não o fizeram recuar um milímetro de seus planos de aferrar-se ao poder. Por isso, segue em frente com sua convocação de eleições para uma Assembleia Constituinte para 30 de julho, um processo eleitoral desacreditado tanto dentro como fora da Venezuela por representar uma manobra grosseira para não respeitar a lei vigente.

É absolutamente lamentável e inaceitável que um país como a Venezuela esteja se transformando em um pária internacional. Que não nos enganemos pelo fato de a Organização dos Estados Americanos (OEA) não ter aprovado uma condenação ao regime de Maduro. Basta comparar a lista de países que votaram contra ou se abstiveram (entre eles, São Cristóvão e Névis e São Vicente e Granadinas) com a de quem pedia uma condenação (Brasil, Argentina, México, Colômbia, Chile e outros) − para demonstrar a solidão de um Nicolás Maduro empenhado em uma sangrenta corrida em direção a lugar nenhum.