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Oposição da Venezuela volta às ruas contra Maduro após dia de violência

Três pessoas morreram na primeira jornada de protestos – dois antichavistas e um militar

Distúrbios nas manifestações desta quarta-feira em Caracas.

A oposição da Venezuela, que nesta quarta-feira a reuniu mais de 100.000 cidadãos em Caracas contra o Governo de Nicolás Maduro, voltará às ruas nesta quinta para tentar confirmar o sucesso da primeira convocatória. Os protestos e os confrontos com as forças de segurança fizeram recrudescer o enfrentamento entre os líderes da oposição e o chavismo. Pelo menos três pessoas morreram nas mobilizações, sendo dois civis e um militar. Um dos manifestantes mortos foi Carlos José Moreno, que completaria 18 anos em três dias e foi alvejado na cabeça. No Estado de Táchira (noroeste), uma mulher de 23 anos foi baleada. E, como relatou o deputado chavista Diosdado Cabello pela televisão, um agente da Guarda Nacional Bolivariana morreu durante a noite em San Antonio, na periferia de Caracas. Tratava-se do sargento Niumar José Barrios, de 35 anos. O titular da Defensoria, Tarek William Saab, confirmou posteriormente essa morte.

Cabello atribuiu a morte do militar diretamente ao líder oposicionista Henrique Capriles, governador do Estado de Miranda e líder do partido Primeiro Justiça, e seus seguidores. “Estavam buscando Capriles. Aqui haverá justiça, tenham certeza de que aqui haverá justiça”, afirmou. Enquanto isso, o dirigente oposicionista rejeitava peremptoriamente a reação do Executivo às manifestações, que qualificou como “repressiva”. Capriles estimulou os venezuelanos a protestarem outra vez nos mesmos pontos da capital. Ocorre que esta quinta, ao contrário da véspera, é dia útil. Por isso, ele pediu publicamente “que todos os venezuelanos possam se ausentar de sua atividade trabalhista ou acadêmica, porque irão defender a Constituição da República Bolivariana da Venezuela”.

Suas reivindicações são, fundamentalmente, quatro: a realização de eleições; a libertação de presos políticos como Leopoldo López, encarcerado desde 2014; o estabelecimento de um “canal humanitário” para mitigar o desabastecimento de alimentos e medicamentos; e, finalmente, o reconhecimento pleno da Assembleia Nacional (Poder Legislativo), de maioria opositora.

Sentenças expedidas no final de março pelo Tribunal Supremo de Justiça – e ratificadas dias depois pelo Executivo chavista – privaram o Parlamento das suas competências e foram justamente o estopim da nova onda de protestos, que já dura três semanas. Caracas vivia nesta quarta um clima de máxima tensão. As passeatas chavista e a da oposição ocorreram em zonas diferentes da cidade, mas se cruzaram em vários pontos, onde houve confrontos. O jovem alvejado na cabeça no município de San Bernardino, que é parte da capital, faleceu no centro cirúrgico. Paola Ramírez, a vítima do Estado de Táchira. morreu no município de San Cristóbal. À noite, foi anunciado o ataque ao agente da Guarda Nacional.

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