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Oposição venezuelana aumenta pressão contra o Supremo com outra marcha em Caracas

Protesto da oposição acabou em uma batalha campal com grupos chavistas

Manifestantes protestam contra o Governo Maduro.
Manifestantes protestam contra o Governo Maduro. EFE

Uma mudança inesperada: o governador Henrique Capriles desviou o rumo de uma marcha da oposição que, em princípio, iria se concentrar em um setor de classe média do leste de Caracas, para a sede da Defensoria do Povo, no centro da capital venezuelana. A poucos quarteirões dali, perto do Palácio Federal Legislativo, está reunido um grupo chavista. As imagens das transmissões via Internet mostram pessoas encapuzadas, caminhando ameaçadoras para o que parece um enfrentamento inevitável com a polícia.

A princípio, a oposição convocou esse protesto contra os juízes responsáveis por elaborar duas sentenças que usurparam a autoridade da Assembleia Nacional e retiraram a imunidade dos parlamentares. Chamaram isso de “trava contra o golpe”. Em resposta, o chavismo pediu que seus seguidores se concentrassem no centro, como tradicionalmente fazem. A lógica dos protestos e contraprotestos que caracterizaram a Venezuela nos últimos 18 anos acaba sendo repetida cada vez que se aprofundam as contradições entre os atores políticos.

As vias de entradas da capital foram fechadas desde a madrugada para evitar que mais manifestantes se somassem aos protestos. Como parte desse plano, várias estações do metrô de Caracas ficaram fechadas desde a manhã. Contudo, a participação lembrou as grandes concentrações da oposição em seus mais famosos protestos.

A tensão aumentou esta semana porque a oposição considera que o Tribunal Supremo de Justiça, apesar dos esclarecimentos das polêmicas sentenças, transformou o Parlamento, dominado pela oposição, em um fórum político sem transcendência.

Os protestos dos dias prévios deixaram dezenas de pessoas detidas e feridas, em Caracas e em outras cidades do país, mas também deram aos adversários do regime a desculpa que estavam procurando para tentar recuperar a iniciativa política, que tinham cedido em outubro quando aceitaram conversar com representantes do presidente Nicolás Maduro para tentar encontrar uma saída política para a crise. Ao não conseguirem os objetivos de liberar os presos políticos e fixar um calendário de eleições, duas das principais propostas, decidiram se retirar.

A mobilização opositora partiu de sete pontos de Caracas. Todos os setores se uniram no cruzamento da avenida Altamira com a estrada Francisco Fajardo, a via mais importante da capital venezuelana, e receberam os nomes dos sete juízes que fazem parte da Sala Constitucional, onde foram redigidas as sentenças. Milhares de pessoas tomaram os dois sentidos da estrada.

A Defensoria do Povo faz parte do Conselho Moral Republicano, instância que a direção do Parlamento recorreu para solicitar que classifique a atuação dos juízes da Sala Constitucional que apoiaram a usurpação de poderes do Parlamento. O titular da Defensoria, Tarek William Saab, aceitou a explicação do regime e não considera que as sentenças significaram um golpe de Estado.

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