Procuradoria mexicana pede ajuda do FBI para investigar espionagem contra jornalistas e ativistas

Órgão anuncia que também investigará as empresas que venderam o software que teria sido utilizado para vigiar os denunciantes

Carmen Aristegui e outras das vítimas da espionagem do Governo mexicano.
Carmen Aristegui e outras das vítimas da espionagem do Governo mexicano.Eduardo Verdugo (AP)

A Procuradoria-Geral do México anunciou que vai realizar uma investigação sobre a suposta espionagem contra jornalistas e ativistas do país. Participarão do inquérito o FBI, a União Internacional de Telecomunicações (uma agência da ONU) e a Escola Superior de Engenharia do Instituto Politécnico Nacional mexicano, entre outros organismos internacionais, segundo informou Ricardo Sánchez, procurador especial para crimes contra a liberdade de expressão.

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Em um comunicado à imprensa, Sánchez afirmou que “os fatos divulgados pela mídia são sérios”. “Esta procuradoria esgotará as linhas de investigação com o propósito de assegurar que as e os jornalistas e defensores dos direitos humanos em nosso país possam exercer sua profissão de maneira livre e com todas as garantias que as leis outorgam. A investigação está em curso”, disse.

Sánchez anunciou que também serão investigadas as empresas que venderam equipamentos para a espionagem telefônica para saber, entre outras coisas, se o fizeram para empresas estatais ou privadas. A procuradoria também pedirá às companhias de telefonia que entreguem os registros das chamadas aos celulares dos jornalistas e ativistas investigados para determinar se foram infectados com o malware Pegasus.

O Governo de Enrique Peña Nieto recusou as acusações de espionagem feitas há apenas uma semana por um grupo de jornalistas críticos e ativistas de defesa dos direitos humanos. Em uma carta concisa dirigida ao The New York Times, que em 19 de junho publicou como se tentava contagiar celulares com o malware Pegasus para roubar informação, a Presidência afirmou que “não há prova alguma de que agências do Governo mexicano sejam responsáveis pela suposta espionagem”. A carta assinada por Daniel Millán, diretor-geral de imprensa internacional da Presidência do México, destaca que o Governo condena “qualquer tentativa de infringir o direito à privacidade de qualquer pessoa”.

Quatro dias depois das acusações, Enrique Peña Nieto rompeu seu silêncio afirmando que ele mesmo como presidente também se sente espionado e disse esperar que a lei se aplique “contra aqueles que levantaram essas falsas alegações”. Pouco depois de fazer essas declarações, o mandatário afirmou que não se tratou de uma ameaça e insistiu que se referia à ordem que havia dado à Procuradoria-Geral da República para que investigue as denúncias apresentadas.