Movimento pelas “Diretas Já” chega a São Paulo com artistas na liderança

Protesto está previsto para começar às 11h do domingo no largo da Batata

Ato ocorre uma semana depois mobilização similar no Rio

Manifestação no Rio de Janeiro, no último domingo.
Manifestação no Rio de Janeiro, no último domingo. EFE

O movimento que pede pelo “Fora Temer” e, sobretudo, por “Diretas Já” chega a São Paulo neste domingo, uma semana depois de um evento similar na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. O ato Rio pelas Diretas Já foi organizado por movimentos de esquerda – Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo – e contou com a presença de sindicatos e com discursos de líderes partidários, mas os destaques ficaram por conta de artistas como Caetano Veloso, Milton Nascimento, Maria Gadú e Wagner Moura, entre outros. Dessa vez foram eles – artistas, produtores, ativistas e blocos de carnaval da capital paulista – os que tomaram a dianteira da organização e divulgação de SP pelas Diretas Já, que começará às 11h no Largo da Batata (Pinheiros, zona oeste da capital).

Essa liderança assumida por artistas não aconteceu sem polêmica. Os organizadores argumentam que o objetivo desta mobilização é ser independente de partidos políticos para aumentar o leque de apoio. Ao jornal Estado de S. Paulo, o empresário da noite Facundo Guerra afirmou também que “a manifestação não pode ser apropriada por partido nenhum”. Isso foi interpretado por muitos como um veto a sindicatos e partidos, gerando críticas nas redes sociais. De todas as formas, a Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo, que até agora organizaram todos os atos pela saída de Temer da presidência, já declararam apoio ao ato.

“Em nenhum momento falamos em barrar ou excluir qualquer movimento do nosso. Pelo contrário: achamos fundamental para a relevância da nossa manifestação a participação de todas e todos que estejam alinhados à causa das Diretas”, declarou em nota o bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, um dos organizadores do ato. “O que estamos propondo é uma nova linguagem: a partir de uma convocação da manifestação feita por artistas, mídia ativistas e grupos culturais, queremos estimular e envolver diversos setores da sociedade, inclusive os partidos, em torno dessa pauta urgente e que nos une”.

Dezenas de blocos de carnaval já confirmaram sua presença, além de músicos como Mano Brown, Criolo, Maria Gadú, Paulo Miklos, Pitty, Chico Cesar, entre outros. Artistas de cinema, teatro e literatura também são esperados. Especula-se também que haja surpresas de última hora como a que houve no Rio, quando Milton Nascimento subiu ao caminhão de som para cantar ao lado de Caetano Veloso. “Faremos um ato político com arte onde as falas dos movimentos sociais e culturais que acontecerão ao longo do domingo vão abordar as Diretas Já e outras pautas nacionais de oposição ao desastroso governo Temer”, conclui a nota do Acadêmicos do Baixo Augusta.

No Rio, artistas mantêm encontros

Enquanto São Paulo se prepara para a manifestação de domingo, o ato de Copacabana continua a ter seus desdobramentos no Rio. E, como acontece agora em São Paulo, os artistas parecem ter tomado a dianteira da mobilização. A empresária Paula Lavigne – dona da Uns Produções e Filmes, que gerencia a carreira de Caetano Veloso e Teresa Cristina, entre outros – transformou seu apartamento em uma espécie de QG das "Diretas Já". Além de políticos como o deputado Alessandro Molon (REDE), o senador Randolfe Rodrigues (REDE) e o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), artistas unidos em torno do “Fora Temer” vêm se reunindo de forma constante.

Neste quinta-feira, dia 1 de junho, Lavigne promoveu o encontro de pessoas, sobretudo atores e atrizes, que até pouco tempo atrás estavam em lados opostos da discussão política. Estiveram presentes artistas como Wagner Moura, Letícia Sabatella – ambos entoavam o #NãoVaiTerGolpe –, Marcelo Cerrado e Márcio Garcia – que vestiam a camiseta amarela do #MoroBloco em dia de manifestação a favor do impeachment. A reunião foi feita para “acima de tudo para sinalizar a sociedade que precisamos deixar esse RACHA ideológico de lado e voltarmos a conversar de forma respeitosa para pensamento junto o Brasil que queremos”, disse Lavigne em sua página no Facebook. “Mesmo com todas as nossas diferenças de pensamentos, provamos que podemos dialogar e nos respeitar uns aos outros. Isso é democracia. Saímos desse encontro com o desejo em comum de ver Temer cassado no próximo dia 6 de junho para que possamos dar os próximos passos rumo a um Brasil melhor”.

O encontro foi registrado com uma foto na qual aparecem cerca de 30 pessoas. Além dos já citados, estiveram presentes o cantor Caetano Veloso (companheiro de Lavigne), Gloria Pires, Christiane Torloni, Camila Pitanga, Tico Santa Cruz, Gloria Pires, Dira Paes e Maria Padilha, entre outros.

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