Diretor de comunicação de Trump se demite do posto

Renúncia de Mike Dubke ocorre em meio a especulações sobre mudanças da equipe por 'Russiagate'

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante um discurso nesta segunda-feira.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante um discurso nesta segunda-feira.Olivier Douliery (EFE)
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O diretor de comunicação da Casa Branca, Mike Dubke, deixará seu posto nos próximos dias. A demissão ocorre em meio a especulações sobre uma reestruturação que Donald Trump prepara em sua equipe a fim de proteger seu ainda curto mandato do desgaste constante que vem sofrendo por causa da investigação sobre os vínculos de seus homens mais próximos com a Rússia.

Dubke entrou para a Casa Branca em fevereiro, contratado pelo chefe de Imprensa e porta-voz, Sean Spicer. Ele não participou da campanha eleitoral de Trump, o que o transformou desde o início em um outsider que não gozava da plena confiança do republicano. Trump valoriza a fidelidade dos seus, e esse pode ter sido um dos pontos fracos de Dubke. O ex-empresário da área de publicidade se demite por “várias razões”, entre elas algumas de ordem pessoal, segundo afirmou nesta terça-feira à rede CNN.

Segundo alguns veículos de comunicação norte-americanos, Dubke apresentou seu pedido de demissão em 18 de maio, mas decidiu não divulgá-lo até que Trump concluísse o seu primeiro giro internacional. A demissão se efetivará nos próximos dias e é possível que seja acompanhada de outras mudanças. O porta-voz Spicer também está na corda bamba e se especula que poderá perder sua presença pública.

Acossado pela trama russa, Trump avalia a realização de mudanças em sua equipe de comunicação. Ele estuda a formação de um comitê de crise voltado para a gestão das novidades na investigação sobre os laços de seu entorno com Moscou. Os atuais porta-vozes apareceriam menos para os meios de comunicação e o presidente aumentaria o número de suas aparições públicas a fim de se dirigir à sua base fiel de eleitores e de fazer com que os debates se deem em torno de sua agenda política.

Trump prepara também a formação de uma equipe de assessores jurídicos que o ajude a lidar com a investigação do FBI e de um promotor especial que procuram determinar se houve ou não uma ação coordenada entre o grupo mais próximo do republicano e o ciberataque da Rússia ao Partido Democrata durante a campanha eleitoral e que visava a ajudar Trump a vencer o pleito, em novembro passado.

Os passos em estudo pelo bilionário nova-iorquino são semelhantes aos que foram dados por Bill Clinton nos anos noventa durante a investigação sobre o seu affaire com Monica Lewinsky, que levou à abertura de um fracassado processo de impeachment contra o presidente democrata. Não é incomum que um governante acossado por alguma polêmica procure corrigir o rumo fazendo mudanças internas.

É difícil imaginar uma função mais complexa, na Casa Branca de Trump, do que a equipe de comunicação. O presidente declarou uma guerra aberta à imprensa, que ele procura demonizar como sendo o “inimigo do povo”, e classifica como “notícia falsa” qualquer informação crítica a seu respeito.

A maior dificuldade é que Trump faz o que quer, fala quando quer e não tem nenhum escrúpulo em negar e até mesmo denegrir seus próprios porta-vozes. É comum, por exemplo, vê-lo desmentindo no Twitter ou em entrevistas informações que haviam sido dadas por seus porta-vozes pouco tempo antes para tentar minimizar e conter uma polêmica.

Com a reestruturação que tem em mente, o presidente visa a diluir sua equipe de comunicação e se tornar, cada vez mais, o único porta-voz confiável de seu próprio Governo. Isso lhe permitiria melhorar a conexão com seu eleitorado, que valoriza seu linguajar direto e grosseiro, mas ao mesmo tempo, dada a propensão de Trump para emitir mensagens incendiárias, aumentaria muito o risco de gerar novas polêmicas.

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