PSDB e DEM adiam decisão sobre desembarque e dão sobrevida a Temer

Legendas decidiram protelar decisão sobre apoio ao presidente até julgamento pelo TSE

Pichação em Brasília.
Pichação em Brasília. UESLEI MARCELINO (REUTERS)

Dois dos principais partidos aliados do presidente Michel Temer, o PSDB e o DEM, decidiram blindar a economia e dar uma salvaguarda ao peemedebista antes de decidirem se abandonam a sua base no Congresso Nacional ou se mantêm seu apoio incondicional. A data limite para tratar do desembarque é a primeira quinzena de junho, quando o Tribunal Superior Eleitoral poderá ter encerrado a análise do processo que pede a cassação da chapa Dilma-Temer, eleita em 2014.

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Em diversas entrevistas durante o dia, lideranças das duas legendas informaram que não vão travar o andamento das reformas que o peemedebista apresentou no Legislativo e que continuarão trabalhando para aprová-las. Tanto a reforma da Previdência, que está na Câmara, quanto a trabalhista, que está no Senado, são incentivadas e esperadas por investidores do mercado financeiro, assim como pela cúpula do empresariado brasileiro.

Disse o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), aliado de primeira hora do presidente e possível herdeiro de sua cadeira: “A Câmara dos Deputados não será instrumento para a desestabilização do Governo”. Segundo ele, entre os dias 5 e 12 de junho a Casa estará pronta para debater a Previdência. No Senado, quem tomou a frente dos debates foi o presidente interino do PSDB, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). “Não podemos deixar o país degringolar em função da crise do Governo. A crise do Governo nós vamos avaliar separadamente. O nosso trabalho no dia de hoje é o de ter responsabilidade”.

A declaração de Jereissati ocorreu no mesmo momento em ele anunciou ter chegado em um acordo com o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), relator da reforma trabalhista, para que ele mudasse de ideia de levasse o seu relatório à votação na próxima quarta-feira. A ideia é que o polêmico projeto, que altera praticamente toda a legislação trabalhista, seja votado no Senado até o dia 15 de junho.

Apesar de dizer que seu partido ainda não se decidiu sobre a continuidade do apoio a Temer, Jereissati reforçou a necessidade de se investigar os delitos apresentados pelo magnata Joesley Batista, da JBS. “As denúncias são gravíssimas e vão ter o seu desdobramento à parte. Não significa férias para o Senado nem recesso para a Câmara”, ressaltou.

A crise política se instalou no país na última quarta-feira, quando o jornal O Globo noticiou que Joesley gravou um diálogo com Michel Temer no qual ele teria concordado em comprar o silêncio de Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O crime é insistentemente negado por Temer. O presidente chegou a contratar uma perícia particular para comprovar que o áudio apresentado como prova foi manipulado. A gravação faz parte da delação premiada assinada pelo empresário com o Ministério Público Federal que resultou na abertura de um inquérito contra o presidente pelos crimes de corrupção passiva, obstrução à investigação e constituição e participação em organização criminosa. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) também são investigados.

Enquanto os governistas dão sobrevida a Temer, os opositores tentam constranger um dos homens fortes de seu combalido Governo, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Nesta segunda-feira, o deputado Ivan Valente (PSOL) protocolou na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara um pedido de convocação do ministro. Quer que ele explique se tinha conhecimento de toda a corrupção que a J&F praticava. O tema será posto em discussão na quarta-feira.

Meirelles entrou em 2012 no grupo, que controla a JBS, para fazer parte do conselho consultivo. Segundo uma reportagem do jornal Valor Econômico, de quando ele assumiu o cargo, uma de suas principais tarefas seria a de “criar uma estrutura de governança corporativa” na empresa. Ele se desligou da holding em 2016. “Queremos saber se ele tem informações sobre tudo o que a JBS financiou no país, sobre toda a corrupção que se propalou esses anos todos”, destacou o deputado. O requerimento que pode culminar na convocação do ministro será votado na quarta-feira.

Outra estratégia é tentar fazer prosperar um dos pedidos de impeachment que já tramitam na Câmara. Até a noite desta segunda-feira, 13 foram protocolados, sendo nove relacionados ao escândalo da JBS e quatro a razões anteriores. Um novo pedido deve ser apresentado ainda nesta semana pela Ordem dos Advogados do Brasil.