Refugiados na Europa

Organização católica da Itália recebe mais refugiados que 15 países da UE

Comunidade de Santo Egidio levou à Itália a 700 asilados em um ano

Mulheres imigrantes desembarcam na Sicília.
Mulheres imigrantes desembarcam na Sicília.ANTONIO PARRINELLO (REUTERS)

Em um ano, a Comunidade de Santo Egídio transferiu 700 refugiados de maneira legal e segura do Oriente Médio para a Itália, mais que a soma dos acolhidos por 15 países da UE juntos. E só seis nações acolheram, separadamente, mais refugiados que a organização católica: França, Alemanha, Portugal, Holanda, Finlândia e Espanha, que recebeu 744 pessoas. A promessa da UE era receber 160.000 asilados.

Mais informações

O projeto, o primeiro do gênero na Europa, oferece um modo legal e seguro de entrar na UE. Baseia-se em um acordo assinado entre os ministérios do Interior e de Relações Exteriores da Itália e três comunidades religiosas (Santo Egídio, que assume a maior parte das responsabilidades, a Federação das Igrejas Evangélicas da Itália e a Mesa Valdesa).

As organizações religiosas selecionam as pessoas e cobrem todas as despesas – processo de seleção, viagem, acolhida, burocracia – e as autoridades italianas colaboram no âmbito da segurança e devem dar sua aprovação a cada uma das chegadas. Uma vez na Itália, a Santo Egídio se encarrega de dar a primeira acolhida e oferecer soluções de longo prazo, uma tarefa em que participam muitas outras associações da sociedade civil, religiosas e laicas. Assistem a aulas de italiano e também recebem ajuda para o processo burocrático de solicitação de asilo. Tudo isso é financiado pelas associações, sem recursos do Estado.

O método propicia aos refugiados uma acolhida segura e controlada e ajuda na integração de quem foge da guerra e que, do contrário, seria vítima de traficantes de pessoas. Além de impedir a exploração, essa solução visa a evitar as viagens em embarcações precárias pelo Mediterrâneo, onde 5.000 pessoas morreram no ano passado, e proteger aos mais vulneráveis.

“Um ano de corredores humanitários demonstra que, frente ao medo, é necessário responder com sistemas que garantam a segurança e, ao mesmo tempo, a solidariedade. Os corredores humanitários estão se tornando conhecidos na Europa, certamente chegarão à França e tenho a esperança de que logo cheguem também à Espanha”, disse Andrea Ricardi, fundador da Santo Egídio, ao dar as boas-vindas a um grupo de sírios.

Coincidindo com o primeiro aniversário do sistema, mais 48 refugiados sírios desembarcaram no aeroporto de Roma na segunda-feira vindos do Líbano. Sarkis, de origem armênia, sua esposa, Talar, e três filhas – Pamela (13), Pérola (8) e Ivana (2) –, chegaram depois de fugir de Aleppo. Foram recebidos no aeroporto com flores e cartazes com a mensagem “Bem-vindos à Itália”.