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Doria, abra sua gestão para as palavras de uma mulher negra

Presidente do bloco afro Ilú Obá De Min pede que a nova gestão dê continuidade aos projetos desenvolvidos pela extinta secretaria de Igualdade Racial

O bloco Ilu Oba De Min, no carnaval de São Paulo.
O bloco Ilu Oba De Min, no carnaval de São Paulo. Fotos Públicas

Senhor prefeito João Doria,

Nós cidadãos brasileiros sabemos que o país esta numa grande crise econômica e com muitos problemas políticos em pleno movimento.

Como cidadã e presidente da Instituição Ilú Obá De Min‐ Educação, Cultura e Arte Negra, que desenvolve trabalhos, ações sociais e culturais para mulheres negras e não negras no centro de São Paulo, dando a elas o empoderamento há 12 anos através da difusão e manutenção da Cultura Afro brasileira, penso: quais são as ações políticas para dar continuidade aos trabalhos realizados pela Secretaria da Igualdade Racial que acabou sendo extinta, resultando assim num grande retrocesso para as políticas públicas, para as conquistas tão arduamente feitas pela população negra e vários outros coletivos femininos?  por que não dar continuidade a essa e outras secretarias que avançaram tanto em nosso país nos últimos anos?

A continuidade das secretarias GLBT, Igualdade Racial e da Mulher tem a intenção de melhorar cada vez mais o direto de sermos respeitados (as) por toda sociedade brasileira.  Essa é a maior missão dessas secretarias, por esse motivo esperamos que em sua gestão fizesse valer esses direitos. Não somos todos iguais nessa sociedade racista, sexistas e homofóbica. Por esses motivos palpáveis, o que avançou não pode retroceder e nós contamos com sua percepção e apoio para a continuidade desses projetos sociais e dessas secretarias.

O Ilú Obá De Min vem desenvolvendo um trabalho sociocultural no Vale do Anhangabaú e na Praça do Patriarca incluindo os moradores (as) e crianças que ali vivem no esquecimento. Utilizamos esses espaços públicos para os nossos ensaios que culminam todo ano num grande cortejo pelas ruas do centro da cidade com término no Largo do Paiçandu, em frente à igreja centenária de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Levamos mais de 35.000 pessoas em nosso cortejo que há 12 anos nunca houve um incidente.

Nosso trabalho não se trata apenas de tocar os tambores, trata-se de uma Formação Cultural na cidade de São Paulo e da manutenção de nossas histórias como descendentes de africanos. Durante seis meses na rua, potencializamos o conhecimento de mais de 400 mulheres.

O Bloco Ilú Obá De Min sai às ruas da Paulicéia Desvairada enaltecendo nossa Cultura Afro e a Cultura Popular, que são patrimônios da humanidade. Daí a importância do apoio na participação popular, democrática e autônoma e na definição dos processos de financiamento da cultura e da transparência da Prefeitura de São Paulo, cumprindo e incentivando a difusão das manifestações culturais do nosso País.

Diante das perspectivas colocadas aqui espero que a nova gestão regida pelo senhor leve em consideração as palavras e a trajetória de uma mulher negra, educadora e realizadora de ações sociais na cidade de São Paulo por intermédio do Bloco Afro Ilú Obá De Min.

Atenciosamente, Elisabeth Belisário, presidente da Instituição Ilú Obá De Min - Educação, Cultura e Arte Negra.

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