Morre Ricardo Piglia, um clássico contemporâneo da literatura em espanhol

O escritor e crítico argentino morreu aos 75 anos

O escritor argentino Ricardo Piglia, em uma imagem de 2014.
O escritor argentino Ricardo Piglia, em uma imagem de 2014.MARIANA ELIANO

O escritor argentino Ricardo Piglia morreu aos 75 anos. Leitor, crítico, editor, roteirista de cinema, professor de literatura e, principalmente, narrador, Piglia nasceu em Adrogué, na província de Buenos Aires, em 24 de novembro de 1941. Viveu entre a Argentina e os Estados Unidos e a literatura, mas passou seus últimos meses em Buenos Aires por causa da esclerose lateral amiotrófica (ELA), que afetou os neurônios que controlavam seus músculos, mas não lhe tirou a lucidez intelectual e criativa, razão pela qual trabalhou até quase o último momento.

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Autor de três livros de contos, seis ensaios e uma novela curta, Piglia escreveu cinco romances, entre 1980 e 2013. Com o primeiro, Respiração Artificial, conquistou um lugar entre os autores latino-americanos indiscutíveis posteriores ao boom. Aquela história sobre a ditadura militar de seu país foi seguida por doze anos de silêncio romanesco até que voltou com A Cidade Ausente. Cinco anos mais tarde, em 1997, sua literatura atingiu o grande público com Dinheiro Queimado. Mais 13 anos de silêncio foram interrompidos com Alvo Noturno, em 2010, e um rastro de prêmios que incluíram o da Crítica na Espanha e o Rómulo Gallegos. Seu último romance foi O Caminho de Ida, em 2013.

Antes de Respiração Artificial, e entre esses romances, Ricardo Piglia escreveu contos e ensaios, muitos ensaios sobre escritores, sobre a arte de escrever, sobre a crítica literária e a edição; entre os quais se destaca um artefato criativo que reflete aquele menino que queria desmontar os parafusos da linguagem ou descobrir as doses das poções do feitiço literário: Crítica y Ficción (Critica e Ficção). São 226 páginas originais do ano de 1986, mas atualizadas em 2001, nas quais Piglia bebe da tradição literária universal e daquela de seu país, à maneira de Borges, com um “tratado de poética” em que ele está num bar com amigos e estes lhe perguntam coisas, coisas em que se juntam sua vida e sua literatura, nas quais se desvelam os fios que tecem seu pensamento de cidadão, leitor, crítico, professor, editor e narrador.