Atentado no Egito

Ao menos 25 mortos em um atentado perto da catedral cristã copta no Cairo

Uma bomba explodiu junto a uma das portas do complexo religioso

Forças de segurança cercam a catedral, neste domingo.
Forças de segurança cercam a catedral, neste domingo.Nariman El Mofty / AP

Pelo menos 25 pessoas morreram na manhã deste domingo devido à explosão de uma bomba de grande potência na entrada de uma igreja no Cairo (Egito), segundo informações do Ministério da Saúde do país. O artefato foi colocado na porta de uma igreja de São Pedro, adjacente à catedral de São Marcos, sede do patriarca da Igreja Ortodoxa Copta, principal confissão cristã do Egito. Esse ataque é o mais violento dos últimos anos contra a minoria cristã copta, que representa cerca de 10% da população egípcia, e se soma ao contínuo pipocar de atentados perpetrados pela insurgência islâmica desde meados de 2013.

A bomba explodiu aproximadamente às 10 horas da manhã (6 horas em Brasília), quando o templo estava cheio de fiéis, porque era celebrada a principal missa da semana. Segundo a televisão pública egípcia, citando uma autoridade da segurança do país, o artefato, que estourou os vidros da igreja, estava recheado de TNT. A bomba foi colocada numa parte da igreja voltada para a movimentada rua de Ramsés, no bairro de Abasiya, no lado oposto à catedral de São Marcos. A polícia isolou a área, que recebeu diversas ambulâncias. Nenhum grupo assumiu a ação.

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O atentado aconteceu apenas dois dias depois de outro ataque a bomba ter provocado a morte de seis policiais que estavam num posto de controle numa avenida de acesso às pirâmides de Gizé, a Oeste do Cairo. A ação foi reivindicada por um obscuro grupo denominado Movimento dos Braços do Egito-Hasam (“determinação”). Durante os últimos meses, esse grupo terrorista cometeu diversos atentados com carros-bomba, sempre contra agentes das forças de segurança ou altos funcionários do Estado.

Desde o golpe de Estado de 2013, em que foi derrubado o presidente islâmico Mohamed Morsi, o Egito sofre de modo contínuo com os ataques de uma heterogênea insurgência de inspiração islâmica. O grupo mais mortífero é o Wilaya Sina (província do Sinai), que deixou seu antigo nome, Ansar Bait al Maqdis, quando se integrou ao autodenominado Estado Islâmico, em 2014. Embora o Wilaya Sina tenha cometido atentados no Cairo, seu feudo e principal palco de atuação é a península do Sinai.

Junto a esse grupo, desde 2013 existe uma nebulosa de pequenas organizações que reivindicam atentados, especialmente na região metropolitana do Cairo, entre elas o Movimento dos Braços do Egito-Hasam. Segundo as autoridades, esses grupos são controlados pela Irmandade Muçulmana, o movimento do ex-presidente Morsi, fato sempre negado pelo movimento islâmico. Normalmente, o alvo dos ataques terroristas são as forças de segurança, embora o ataque mais mortífero até agora tenha sido a derrubada de um avião de passageiros russo na província do Sinai, que provocou a morte de 225 pessoas.

O atentado na igreja de São Pedro é o mais grave ato de violência sofrido em décadas pela comunidade cristã copta. Um ataque parecido ocorreu em janeiro de 2011, pouco antes de eclodir a revolução que encerrou três décadas da ditadura de Hosni Mubarak. As tensões sectárias dispararam depois do golpe de Estado de 2013, com a comunidade copta sendo pega como bode expiatório pelos seguidores da Irmandade Muçulmana. Um mês antes, o patriarca copta, Tawadros II, mostrou apoio ao golpe de Estado, ficando ao lado do atual presidente, al Sisi, então ministro da Defesa, enquanto ele lia o comunicado destituindo Morsi.

Em agosto de 2013, horas depois da brutal desocupação do acampamento de protesto de Rabá al Audawia, em que morreram cerca de 1.000 simpatizantes de Morsi, nos feudos islâmicos do Sul se deflagrou uma vingança que resultou na destruição de cerca de 40 igrejas e diversas propriedades de cristãos.

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