Operação Lava Jato

Lava Jato chega a ministro do Tribunal de Contas e a ex-presidente da Câmara

Nova etapa da operação mira pagamento de propinas para blindar empreiteiros em CPI. Vital do Rêgo (PMDB) e Marco Maia (PT) são alvos

O ministro do TCU Vital do Rêgo.
O ministro do TCU Vital do Rêgo.A. CruZ (Ag. Br.)

De fato, nenhum executivo das grandes empresas envolvidas no escândalo de corrupção da Petrobras depôs na CPI do Senado nem na comissão mista, como era de se esperar. A CPI presidida por Maia terminou sem votar o relatório final.

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Esta é a primeira vez que a Lava Jato cumpre mandados de busca e apreensão na residência de um ministro do TCU, um órgão cujo papel tem relevância fundamental para os rumos da política do país. Entre as suas atribuições, o tribunal é responsável por julgar as contas do Governo Federal. Em outubro deste ano, o TCU rejeitou as contas da ex-presidenta petista sob a alegação de que ela cometeu pedaladas fiscais ao abrir créditos suplementares quando deveria contingenciar recursos. Em nota, Rêgo afirmou que "respeita" o trabalho das autoridades, e disse que "a medida, cumprida com eficiência e urbanidade, vai confirmar que jamais tive qualquer participação nos fatos em apuração". Maia divulgou vídeo no qual nega ter sofrido qualquer pressão para poupar empreiteiros na CPI.

Ainda não se sabe o montante exato que teria sido pago a Maia e Rêgo, que são suspeitos dos crimes de corrupção passiva e concussão, mas existem indícios de que a quantia ultrapasse 5 milhões de reais. Em setembro, Léo Pinheiro, ex-diretor da empreiteira OAS, afirmou em depoimento feito para o juiz de primeira instância Sérgio Moro, ter pago 3,8 milhões de reais para abafar as investigações da CPI da Petrobras. Os valores teriam sido repassados ao ex-senador Gim Argello (ex-PTB), preso em abril, Maia e Rêgo. Além disso, Pinheiro afirmou que, em 2014, a OAS teria feito pagamentos de 1,5 milhão de reais para a campanha de Rêgo ao Governo da Paraíba via caixa dois. Esse valor também teria como finalidade blindar a empreiteira na CPI. A Polícia cumpre mandados de busca e apreensão em Brasília, Porto Alegre, Canoas (RS), João Pessoa e Campina Grande (PB).

Rêgo deixou o Congresso no final de 2014 (ele tinha mandado até 2019) para ocupar uma vaga no TCU – vaga esta destinada a indicações feitas pelo Senado. Ele é ligado ao grupo político do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), que também está na mira da Lava Jato. A reportagem não conseguiu entrar em contato com a assessoria de Maia.

O envolvimento de Rêgo na Lava Jato tem potencial para agravar ainda mais a crise política no país, que tem provocado desgaste no Governo de Michel Temer. Ela ocorre uma semana após a Câmara desfigurar o pacote de leis intitulado Dez Medidas Contra a Corrupção, o que levou milhares de pessoas às ruas neste final de semana para demonstrar apoio à Lava Jato e criticar Renan e outros líderes peemedebistas. O projeto agora está nas mãos do Senado, e a força-tarefa da operação já afirmou que irá renunciar coletivamente caso ele seja aprovado nos moldes atuais.

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