Violência

Argentino é morto a golpes em bar na Bahia

Marcelo Rey tinha 38 anos e havia se mudado em 2013 para Morro de São Paulo em busca de segurança

Marcelo Rey (esq.) com o dono do bar, Gastón Carniel.
Marcelo Rey (esq.) com o dono do bar, Gastón Carniel.

Uma discussão acalorada, um golpe letal e a selvageria de continuar batendo com o inimigo abatido. Isso aconteceu com Marcelo Gabriel Rey, um homem de 38 anos que desde 2016 morava em Morro de São Paulo, na Bahia. O agressor, chamado Enrique, provocou-lhe um desmaio e continuou surrando-o no chão após acusá-lo de roubar o trabalho dos brasileiros. Enrique está foragido, mas é uma pessoa muito conhecida na ilha e frequentador do bar onde Rey trabalhava. O Consulado da Argentina trabalha para repatriar os restos mortais.

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O incidente ocorreu perto do Bar do Peter II, propriedade de outro argentino, Gastón Carniel. Ali trabalhava Rey, que todos conheciam como Conejo (Coelho). Rey chegou ao Brasil em 2013 proveniente do município de Lanús, na província de Buenos Aires, fugindo da insegurança que assola a Argentina. Começou a trabalhar como caixa no bar, localizado numa zona estratégica de Morro e famoso ponto de encontro dos argentinos que moram na ilha ou que a visitam como turistas.

Em sua página do Facebook, o bar publicou um anúncio nos dois idiomas com uma versão dos fatos: “Infelizmente, perdemos um de nossos amigos e trabalhadores. Conejito amigo, vamos sentir muitas saudades. Até agora, o que sabemos é que [ele] estava no bar Pedra sobre Pedra, na segunda praia, que discutiu com outra pessoa, que brigaram, que bateram nele até desmaiar e depois bateram mais no chão até matá-lo. A pessoa que fez isso é conhecida por todos. Há várias testemunhas, e muitas pessoas não falam para acobertar o assassino. Assim como os funcionários e o dono do bar, que não fizeram nada para manter a calma e evitar que isso acontecesse”, diz o texto. “Este filho da puta assassino se chama Enrique, a mulher se chama Dalma e vende trufas na praça do Morro. Têm um filhinho e certamente fugiram. Agradecemos muito a quem tiver informação.”

Outra versão mais precisa, dada por amigos de Rey, indica que o episódio ocorreu na terça-feira e que “um baiano conhecido por todo mundo” chamou a vítima para a briga, acusando-a de ser um estrangeiro que rouba trabalho dos locais. Mas o indivíduo não se deteve e bateu em Rey no chão até matá-lo.

Mariano Vergara, cônsul argentino em Salvador, confirmou o fato em declarações à rádio La Red, de Buenos Aires, dizendo que a morte ocorreu após um “golpe na cabeça contra uma escada de pedra”. “Estamos todos muito consternados. Conheci o Marcelo, e ele me pareceu um menino muito pacífico. Foi uma briga que terminou em desgraça”, explicou o cônsul, lembrando que esse tipo de episódio “não é comum, pois Morro de São Paulo é uma lugar muito tranquilo”. Mas recomendou que os visitantes sejam cordiais com os moradores locais. Vergara confirmou também que o assassino está foragido e que o Consulado está providenciando a repatriação dos restos mortais. Os familiares reúnem doações no Club Atlético de Lanús.