Eleições municipais 2016

Crivella perde vantagem sobre Freixo, mas ainda é o favorito a prefeito do Rio

Senador sofre baque nas pesquisas e diferença passa de 26 a 16 pontos frente ao candidato do PSOL

Marcelo Crivella e Marcelo Freixo em atos de campanha no Rio.
Marcelo Crivella e Marcelo Freixo em atos de campanha no Rio.A. Lacerda, M. Sayão (EFE)

MAIS INFORMAÇÕES

O senador Marcello Crivella (PRB) mantêm sua liderança com 58% dos votos válidos no Rio, mas perde vantagem frente a Marcelo Freixo (PSOL) que aparece com 42% das intenções, segundo a última pesquisa do Datafolha divulgada neste sábado. A intenção de voto um dia antes do segundo turno deste domingo mostra certo desgaste do senador Marcelo Crivella, que perdeu dez pontos de vantagem, de 26 para 16, frente a Freixo em relação à última pesquisa de quarta-feira. Os resultados, fruto de 2.384 entrevistas feitas entre sexta e sábado, confirmam Crivella como vencedor das eleições deste domingo, quando cerca de 4,9 milhões de cariocas devem ir às urnas.

A pesquisa Datafolha, cuja margem de erro é de dois pontos percentuais, confirma também o alto número de votos brancos e nulos (19%), um fenômeno visto nas principais capitais do país no primeiro turno, no último dia 2, e aponta um 8% de indecisos, mesmos números que na pesquisa anterior. Espera-se ainda um alto índice de abstenções. Se computados os votos totais, Crivella tem 43% contra 30% de Freixo.

Crivella, líder nas pesquisas desde o primeiro dia de campanha, vem caindo na intenção de voto desde 14 de outubro, quando aparecia com 48% dos votos totais, mas ainda com ampla vantagem sobre seu adversário, que saiu de 25% para 30% dos votos. O senador e bispo licenciado da Igreja Universal está enfrentando uma espinhosa reta final de campanha, alimentada por revelações da imprensa onde mostra-se o passado intolerante de Crivella com outras religiões e com os homossexuais assim como um episódio de 26 anos atrás no qual foi preso tentando recuperar um terreno da igreja do seu tio, o bispo Edir Macedo, para construir um templo.

Irritado com os ataques, Crivella vinha cancelando entrevistas na última semana e xingando a imprensa, mas resolveu comparecer ao último debate com seu adversário, nesta sexta na TV Globo, da qual tinha queixado publicamente pela cobertura crítica da sua candidatura.

Durante o debate, Freixo, que enfrenta rejeição dos setores mais conservadores da sociedade por seu ativismo pelos direitos humanos e sua defesa da liberação das drogas e do aborto, partiu para o ataque e procurou explorar as fraquezas do adversário, de suas alianças políticas e como pensa recompensar os apoios ao projeto político da sua Igreja, a terceira com mais fiéis do Brasil, mas Crivella se esquivou. Olhando para a câmera, ele falava ao espectador: “Você não quer saber de religião, quer saber de emprego”.

Após o debate, Crivella, que sorria a cada resposta de Freixo, disse ao O Globo que manteve um tom conciliador porque as pessoas estão cansadas. “As pesquisas são desfavoráveis para ele [Freixo]. É natural que ele tente essas estratégias próprias dos inconformados”, disse Crivella. Embora haja pouca margem para milagres, Freixo ainda cultiva uma pequena esperança de reverter as pesquisas: “Há um grande número de votos nulos. Esse percentual vai definir a eleição. Se a gente virar esses votos, e é possível”.

Arquivado Em: