Crítica
Género de opinião que descreve, elogia ou censura, totalmente ou em parte, uma obra cultural ou de entretenimento. Deve sempre ser escrita por um expert na matéria

O toque Gerwig

A diretora Rebecca Miller encontrou na atriz a cúmplice ideal para violentar os códigos tradicionais da comédia romântica a partir de um olhar satírico em 'O plano de Maggie'

La Gerwig talvez não tenha a versatilidade nem a capacidade para poder desaparecer no fundo de personagens complexos e exigentes (não faz parte, para ficar claro, da dinastia Huppert ou Binoche), mas pode se dar o luxo de ser, sempre, ela mesma, como uma espécie de camada reconhecível que cobre as criaturas que lhe cabe encarnar. Convém distingui-la de uma mera atriz enquadrada ou de um instrumento interpretativo de uma nota só: o modo Gerwig nunca parece esgotar-se e sempre revitaliza suas constantes com novos matizes e profundidades. La Gerwig encarna o fechamento do círculo da tradição da screwball comedy, esse gênero que, nos anos 30, popularizou um arquétipo de mulheres irônicas em perfeito autocontrole de seus recursos: ela continua sendo isso, mas mesclado com a imaturidade contínua que definia, de fato, os aturdidos personagens masculinos dessas comédias clássicas.

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A diretora, atriz e romancista Rebecca Miller, filha de Arthur Miller e Inge Morath, encontrou em Greta Gerwig a cúmplice ideal para violentar os códigos tradicionais da comédia romântica a partir de um olhar satírico, algo alleniano, sobre os círculos intelectuais nova-iorquinos (e sua zona de precariedade laboral e afetiva): uma aparição de Wallace Shawn em um filme assim é uma declaração de princípios. O título é polissêmico: Maggie desenvolverá aqui, com resultados moderadamente caóticos, muitos planos, desde o da própria maternidade até os da construção e correção de um romance de propósitos redentores. O contraste entre a espontaneidade desengonçada de Greta Gerwig e a gelidez bitchy de Julianne Moore inspira os momentos mais felizes desta sedutora comédia culteranista.

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