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Campeã de xadrez dos EUA se nega a usar hijab para jogar no Irã

Nazi Paikidze-Barnes lidera campanha contra a obrigação de cobrir a cabeça

Irã organizará o Campeonato Mundial de Xadrez de 2017

Nazista Paikidze-Barnes, em uma foto publicada em sua conta de Instagram.

Nazi Paikidze admitiu certa vez que um dos seus objetivos na vida é contribuir para que mais meninas pratiquem o xadrez no mundo todo. Sua nova jogada se baseia num movimento arriscado, mas que pode ajudar na sua causa. A atual campeã norte-americana de xadrez se nega a competir no próximo Mundial Feminino, que será realizado no ano que vem no Irã, se for obrigada a cobrir a cabeça com o véu islâmico, ou hijab.

“Não vestirei hijab nem apoiarei a opressão às mulheres, mesmo que isso me impeça de disputar uma das competições mais importantes de minha carreira”, declarou Paikidze na sua conta pessoal do Instagram. Seu protesto está dirigido explicitamente às restrições impostas às mulheres pela legislação iraniana, com um pedido à Federação Mundial de Xadrez (FIDE) para que reconsidere a decisão de realizar o próximo Mundial Feminino de Xadrez em Teerã.

Paikidze argumenta que, se a sede do torneio for mantida, a FIDE estará violando o princípio, previsto em seus estatutos, de “rejeitar a discriminação de tratamento por motivos de origem nacional, políticos, raciais, sociais, religiosos ou de gênero”. A jogadora observa que as enxadristas que se recusarem a cobrir o cabelo publicamente no Irã poderão ser punidas com multas e prisão, e que a sua liberdade de expressão ficará limitada durante sua permanência no país.

“Isto é mais do que um torneio; é uma luta pelos direitos das mulheres”, diz Paikidze numa campanha que iniciou no site Change.org para “acabar com a opressão das mulheres no mundo” e em protesto pela decisão da FIDE. "No Irã, os direitos das mulheres são gravemente restringidos”, acrescenta. Na opinião dela, as jogadoras classificadas para disputar o torneio precisarão optar entre realizar suas aspirações pessoais e proteger “suas liberdades civis e suas vidas”.

Paikidze alega que as normas iranianas violam em vários pontos os princípios da FIDE, incluindo as regras de vestuário para as jogadoras, as restrições à liberdade de expressão e o fato de que vários países, como EUA, Canadá e Reino Unido, alertam atualmente seus cidadãos para que não viajem ao Irã. “As competidoras [desses países] estariam se deslocando até lá por sua conta e risco”, afirma o comunicado da campanha.

A enxadrista norte-americana propõe à federação que altere a sede do torneio ou tome medidas para garantir que o uso do hijab seja opcional e que não haverá discriminação contra as mulheres “com base em gênero, nacionalidade ou quaisquer outros direitos humanos”. A FIDE, entretanto, alega que o Irã foi o único país que se candidatou a receber o Mundial Feminino de Xadrez e que não recebeu nenhum protesto relativo às leis iranianas, que as esportistas deverão respeitar durante a competição.

“Esses são apenas alguns dos riscos que as jogadoras classificadas enfrentam para competir no Mundial”, diz Paikidze. “Estão pedindo a essas mulheres que optem entre conquistar uma das suas maiores aspirações e proteger suas liberdades civis e suas vidas.”

Paikidze nasceu na Geórgia (antiga União Soviética) há 23 anos e se mudou para os Estados Unidos após receber uma bolsa da Universidade de Maryland para estudar e jogar xadrez. Atualmente, é casada com um engenheiro norte-americano. Sua campanha já recebeu o apoio de mais de 9.000 pessoas, incluindo o russo Garry Kasparov, ex-campeão mundial de xadrez, que é também um ativo defensor dos direitos humanos.

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