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Treinador da seleção inglesa é demitido após ser pego em câmera oculta

Gravação mostra como técnico se oferece para burlar normas por uma comissão próxima a R$ 2 milhões

Sam Allardyce, treinador da seleção inglesa de futebol.
Sam Allardyce, treinador da seleção inglesa de futebol. AFP

Dois meses e duas partidas depois de assumir o cargo de técnico da seleção inglesa, Sam Allardyce foi demitido nesta terça depois de ter vindo à tona uma gravação em que esclarece seus interlocutores, que tinham se apresentado a ele como representantes de investidores asiáticos, sobre como poderiam burlar a norma da federação inglesa que visa evitar a intervenção de fundos de investimento nas transferências de jogadores. Nas imagens divulgadas pelo Daily Telegraph se vê como Allardyce, que recebe por ano o equivalente a 18 milhões de reais e é o técnico mais bem pago do mundo, negociou uma comissão da ordem de 1,8 milhão de reais para viajar a Hong Kong ou Cingapura e participar de uma reunião para aconselhar os supostos investidores. A federação solicitou ao jornal londrino as transcrições completas de todas as gravações, pedido para o qual ainda não obteve resposta. Além disso, o Telegraph anuncia novas revelações. “Temos que respirar fundo, pôr todos os fatos sobre a mesa, escutar todo mundo e tomar uma decisão”, afirma seu presidente, Greg Clarke.

Mas o escândalo cresce a cada minuto. Allardyce já tinha tido problemas há dez anos, quando outra câmera oculta de um programa da BBC captou conversas com vários representantes que envolviam o então treinador do Bolton no recebimento de comissões ilegais. Allardyce supostamente embolsou dinheiro por contratar determinados jogadores, mas ele imediatamente clamou sua inocência e nunca foi demonstrado que tenha lucrado ilegalmente. Agora ficou numa situação mais comprometedora, não só do ponto de vista jurídico, mas também no ético, porque a gravação apresenta opiniões que no mínimo parecem imprudentes a respeito de quem lhe paga, sobre seu antecessor e mesmo sobre os membros da família real britânica.

“Estamos aqui falando de fazer dinheiro, certo?”, dispara Allardyce aos seus interlocutores. E explica: “Porque dizem que a federação inglesa é a mais rica do mundo e não é. É a que mais vende, mas, por exemplo, gastaram 870 milhões de libras na reconstrução de Wembley e se tivessem feito o estádio em outro lugar teria saído por 400 milhões”. Além disso, ele diminui o trabalho dos seus antecessores no cargo. Assim, ele afirma que Roy Hodgson não tem personalidade e que quando fala “todos começam a dormir”. E critica seu trabalho na última Eurocopa, muito dependente dos conselhos de Gary Neville, seu assistente. “Gary era uma má influência. Ele tinha de ter dito que se sentasse e calasse a boca”. Na gravação, Allardyce se refere a Roy Hodgson como “Woy”, uma gozação sobre seus problemas de dicção. Quatro anos atrás, a federação reclamou de uma manchete do tabloide The Sun que usava essa expressão para se referir ao veterano treinador. “É inaceitável, de mau gosto e desrespeitosa”, afirmou. A maioria dos meios de comunicação britânicos criticou esses modos jornalísticos.

Allardyce pedirá desculpas publicamente ao seu antecessor Roy Hodgson, mas acredita que seu comportamento não é o de um corrupto, porém estava "mal aconselhado"

As reações se sucedem poucas horas depois de Allardyce ter se colocado sob os holofotes. “Há muito dinheiro aí e não é um problema driblar regras ridículas”, sugere o técnico inglês sobre as normas da federação que paga seu grandioso salário e que agora deverá buscar uma maneira de resolver a situação quase imediatamente porque no dia 8, por enquanto com Allardyce à frente, a seleção recebe Malta em Wembley e três dias depois visita a Eslovênia em jogos válidos pela classificação à próxima Copa do Mundo. A primeira reação de Allardyce indica que fará um pedido público de desculpas a Hodgson, mas de acordo com a emissora de televisão britânica Sky Sports, está convencido de que a gravação não o mostra como uma pessoa corrupta mas como alguém “mal aconselhado”.

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