Ministério Público Federal diz que Lula atuou ativamente no esquema da Petrobras

Em documento, procuradores dizem que há provas de que ex-presidente recebeu "vantagens indevidas"

O documento é uma resposta à ofensiva da defesa de Lula, que tentava tirar as investigações do ex-presidente do âmbito da Lava Jato. Os advogados de Lula alegaram, junto à Justiça do Paraná, que o juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação, agia com imparcialidade no caso. A manifestação do MPF, contudo, dá razão para Moro e afirma que o juiz tem sim a competência de julgar o investigado.

A Lava Jato acusa Lula de ser o verdadeiro dono do sítio Santa Bárbara, em Atibaia, e de um tríplex no Guarujá, imóveis reformados com dinheiro desviado da Petrobras. A defesa do ex-presidente nega. Também são investigados pagamentos ao ex-presidente, feitos por empresas investigadas na Lava Jato, a título de supostas doações e palestras."Diversos fatos vinculados ao esquema que fraudou as licitações da Petrobras apontam que o ex-presidente tinha ciência do estratagema criminoso e dele se beneficiou", dizem os procuradores.

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Essa não foi a primeira vez que os advogados do petista tentaram livrar o ex-presidente da Lava Jato. No dia 28 de julho, o ex-presidente recorreu ao Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) contra supostos abusos de poder do juiz Sérgio Moro.  “Lula está recorrendo à ONU porque ele não conseguirá Justiça no Brasil sob o sistema inquisitório em vigor”, afirmou o advogado Geoffrey Robertson, o mesmo que atuou na defesa do boxeador Mike Tyson e do ativista Julian Assange, responsável pelo Wikileaks.

O MPF também fez menção ao PT no texto desta sexta-feira, acusando Lula de agir "de forma constante e própria" para levantar recursos ilicitamente para o partido.

Mais uma derrota

Ontem, a legenda havia sofrido mais outra derrota na Justiça. O ex-ministro Paulo Bernardo, que chefiou a pasta de Planejamento no Governo Lula e a de Comunicações no primeiro mandato de Dilma, virou réu na Operação Custo Brasil, que investiga esquema de fraude e desvio de dinheiro na concessão de crédito consignado a funcionários públicos, entre 2009 e 2015. Ele é acusado de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa e foi considerado o "líder" da quadrilha, composta por outros 13 réus.

De acordo com o MPF, o grupo era responsável pelo pagamento de propinas de mais de 100 milhões de pessoas para o PT e para gestores públicos e privados. Segundo a defesa do ex-ministro, o "acordo de cooperação técnica foi celebrado autonomamente entre a Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento e as associações privadas. Não houve qualquer benefício, direto ou indireto, a Paulo Bernardo decorrente desse acordo".

Paulo Bernardo chegou a ser preso em 23 de junho, mas foi solto seis dias depois, após decisão do Supremo Tribunal Federal.