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Papa Francisco reza em silêncio em Auschwitz e pede perdão “por tanta crueldade”

Pontífice cumprimenta sobreviventes e cristãos que ajudaram os judeus

O Papa, na sexta-feira em Auschwitz. J. SKARZYNSKI (AFP) | ATLAS (atlas)
Agencias
Cracóvia (Polônia) - 29 jul 2016 - 18:58 UTC

O papa Francisco visitou nesta sexta-feira o que foi o campo de concentração nazista de Auschwitz-Birkenau, na Polônia, onde foram mortas mais de um milhão de pessoas, em sua maioria judeus. Durante uma hora e meia percorreu o campo em completo silêncio, que só foi quebrado para cumprimentar as autoridades polonesas e judias, dez sobreviventes, e outro grupo conhecido como “os justos entre as nações”, que arriscou sua vida para esconder e proteger os judeus. Suas únicas palavras públicas foram as que escreveu no livro de Honra: “Senhor, tenha piedade de seu povo. Senhor, perdão por tanta crueldade”.

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Pouco depois das nove da manhã (4h de Brasília), o pontífice atravessou completamente sozinho a conhecida entrada do campo sob a inscrição em ferro forjado “Arbeit macht frei” (O trabalho liberta). Após cumprimentar o diretor do museu e do campo, foi levado em um pequeno carro elétrico ao pátio onde eram chamados os condenados à morte. Foi ali que há 75 anos o padre polonês Maximiliano Kolbe se ofereceu para morrer em troca de um pai de família judeu que seria fuzilado.

Francisco I é o terceiro Papa que visita o campo de extermínio. O primeiro foi o polonês Karol Wojtyla, em 1979. João Paulo II se encontrou com Franciszak Gajownizek, o homem que teve sua vida salva pelo padre Kolbe. Bento XVI também esteve no campo em 2006, quando disse que Auschwitz deixava uma enorme interrogação: “Por que, Senhor, tolerou isso?”.

O Papa passou cerca de dez minutos orando sentado no escuro com a porta do que foi a cela de Kolbe às suas costas, que foi beatificado por Paulo VI em 1971 e canonizado por João Paulo II em 1982. A cela está no bloco 11, onde ficavam os calabouços subterrâneos aos quais eram enviados os condenados a morrer de fome e sede.

Após beijar e tocar com as mãos um dos postes destinados aos fuzilamentos, o Papa acendeu uma lamparina de óleo em frente ao muro no qual ocorreram as execuções durante os anos da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Em um carro elétrico que andou ao lado das linhas de trem da época, o pontífice chegou ao campo de Birkenau, o “Auschwitz 2”, construído a três quilômetros de distância para que Adolf Hitler realizasse a chamada “solução final” com a qual pretendia exterminar todos os judeus.

Aproximadamente mil pessoas puderam presenciar como o papa Francisco caminhou diante das lápides de mármore com inscrições nos 23 idiomas dos prisioneiros. O grande rabino da Polônia, Michael Schudrich, cantou em hebraico o Salmo 130, o De Profundis, que depois foi lido em polonês pelo padre de uma cidade onde uma família católica inteira foi assassinada por esconder judeus. Francisco I também se encontrou com um grupo de 25 católicos que arriscou sua vida durante a ocupação nazista e falou brevemente com cada um deles.

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