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“Fiquei com receio de haver uma cena de violência incontrolável”, diz Suplicy

Petista deitou no asfalto para evitar a reintegração de posse em uma comunidade e acabou detido

Eduardo Suplicy detido
Eduardo Suplicy  Momento em que o ex-senador é detido. FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Um dos políticos mais populares do Brasil, Eduardo Matarazzo Suplicy foi detido na manhã desta terça-feira, durante a reintegração de posse de uma comunidade, na zona oeste de São Paulo. Suplicy, ex-senador e agora candidato a vereador pelo PT deitou no asfalto e acabou detido por policiais por obstrução de Justiça. Em poucos minutos, as imagens do homem alto, de 75 anos, sendo carregado por quatro homens fardados, um em cada perna e braço, viralizou nas redes sociais.

O local da reintegração de posse é um terreno na Cidade Educandário onde vivem 350 famílias. Desde a noite deste domingo o clima está tenso no local, onde havia confrontos entre policiais militares e moradores. A Polícia Militar era acusada de atirar gás lacrimogênio em uma criança, enquanto a polícia afirma que foi recebida a tiros. Eduardo Suplicy, uma espécie de político pacificador que costuma tentar dialogar com a polícia em situações de impasse, foi ao local chamado pelos moradores, afirma sua assessoria. E, para protestar contra a truculência da polícia, o ex-senador deitou no meio da rua. Outros moradores deitaram ao lado dele, em apoio. Os policiais tentaram negociar para que ele levantasse, mas o petista acabou carregado para a delegacia. No início desta tarde, ele prestava depoimento.

Eduardo Suplicy é um dos políticos mais populares do Partido dos Trabalhadores em São Paulo. Eleito três vezes senador por São Paulo, ele perdeu a vaga na última eleição, para José Serra, do PSDB, atual ministro das Relações Exteriores. Em outubro, concorrerá ao cargo de vereador da capital paulista. Ele é conhecido por anedotas divertidas, como o hábito de entregar seu livro Renda Básica de Cidadania para todos os interlocutores, cantar músicas com conotações políticas em locais como o púlpito do plenário do Senado, ou sua participação em meio ao público de shows como o do grupo de rap Racionais MCs.

Por isso, sua detenção gerou uma indignação e comoção nas redes sociais, colocando o nome de Eduardo Suplicy nos Trending Topics do país.

O ex-senador se pronunciou em seu Facebook. Chamou de "truculenta" e "inaceitável" a ação da polícia e disse que foi ao local para inibir a violência contra os moradores, muitos deles crianças. "A truculência da Polícia Militar do Governo Alckmin é inaceitável. Se fazem isso com um ex-senador da República, imagine o que sofre a população que tanto precisa de apoio."

Na saída da delegacia, na tarde desta segunda-feira, Suplicy explicou que deitou na rua para tentar evitar a violência. "Na hora que vi que policiais com escudos estavam avançando, com uma escavadeira atrás, e que [do outro lado] vinham moradores e haveria o encontro dos dois grupos fiquei com receio de haver uma cena de violência incontrolável", explicou ele aos jornalistas. "Então, [pensei]: eu vou me deitar aqui para prevenir e evitar qualquer violência."

Em nota, a Secretaria da Casa Civil, do Governo de Geraldo Alckmin (PSDB), responsável pela Polícia Militar, acusou Suplicy de se "aproveitar da fragilidade de famílias para tumultuar uma reintegração de posse em cumprimento a uma ordem judicial solicitada pela Prefeitura de São Paulo, dona do terreno". Segundo o órgão, três reuniões foram realizadas com os moradores e parte das 400 famílias já havia se retirado da área. "Suplicy insistiu na obstrução da via mesmo após negociação. A oficial de Justiça Vilma Martins Coelho deu ordem de prisão ao ex-senador, que foi encaminhado para registro de boletim de ocorrência. À PM, coube cumprir a decisão judicial", apontou a nota.

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