Ataque em Munique

Assassino passou um ano planejando atentado em Munique

Polícia confirma que ele comprou a pistola pela Internet, num país onde há milhões de armas ilegais

Um policial alemão durante a noite do atentadoSTRINGER (AFP) / ATLAS

O massacre de Munique não foi improvisado nem provocado por um surto de loucura momentânea. A investigação das autoridades alemãs revelou neste domingo que David Sonbaly, que matou nove pessoas e feriu outras 35 na noite de sexta-feira em Munique, passou um ano planejando o ataque.

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As investigações lançaram uma nova luz sobre como esse jovem germano-iraniano de 18 anos obteve a pistola Glock 9 milímetros e os carregadores com mais de 300 balas que guardava na mochila. De acordo com a polícia, o rapaz, obcecado com massacres armados, a ponto de guardar recortes de jornais sobre o assunto, adquiriu a pistola de origem eslovaca pela Internet, onde, segundo o especialista alemão em tráfico de armas Lars Winkelsdorf, pode valer entre 800 e 1.200 euros (2.860 a 4.920 reais), o triplo do preço normal. Sonbaly não tinha autorização para porte de armas, e o número de série da pistola estava raspado. Os investigadores informaram que a pistola chegou desativada e foi posteriormente adaptada para o uso como arma de fogo.

A Alemanha está analisando a matança de Munique para tentar entender como um jovem de 18 anos com problemas psiquiátricos conseguiu comprar uma pistola e abrir fogo em plena cidade. O debate público se centra agora em determinar se as autoridades estão fazendo o suficiente para controlar o fluxo de armas, uma discussão inédita na Alemanha e mais comum em países como os Estados Unidos, onde a lei protege um acesso mais amplo a qualquer tipo de armas, e há cerca de 300 milhões de armas de fogo, aproximadamente uma para cada cidadão.

Dois influentes ministros da Alemanha, Thomas de Maiziére (Interior) e Sigmar Gabriel (Economia) defenderam uma revisão das leis sobre o controle das armas. O país, com mais de cinco milhões de armas legais, ocupa o quarto lugar mundial em posse de armas, atrás de Estados Unidos, Suíça e Finlândia. Não entram nessa estatística as 20 a 30 milhões de armas que, segundo estimativas, são mantidas ilegalmente na Alemanha. Apesar desse número tão expressivo, o Burô Federal de Investigação Criminal (BKA) apreendeu em 2014 apenas 443 peças.

As autoridades reconstruíram o caminho que a arma trilhou até chegar ao autor do massacre, e abre-se agora uma via política para estudar a necessidade de um endurecimento da lei. “Precisamos continuar fazendo tudo o que estiver ao nosso alcance para limitar o acesso às armas mortais", defendeu o socialista Gabriel, que também é vice-premiê, neste domingo.

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