Atentado em Munique

Um jovem obcecado por massacres e em tratamento por depressão

Suspeito do ataque de Munique, era um cidadão alemão-iraniano de 18 anos e sem antecedentes penais

A policia alemã patrulha um edifício
A policia alemã patrulha um edifícioMICHAEL DALDER (REUTERS)

Alguns moradores do bairro de Maxvorstadt, que não está muito longe do centro, e onde David vivia com os pais e o irmão, em um edifício de vivendas de proteção oficial, descrevem o suposto atirador como um jovem calado, tímido e apaixonado por videogames. Os de temática violenta eram os seus favoritos segundo Najib, um adolescente de 13 anos que frequentava o mesmo colégio que David e que costumava jogar com ele. Vizinhos também contaram que ele não era muito religioso. E não tinha antecedentes penais.

Na casa onde vivia, os investigadores encontraram materiais sobre outros massacres, principalmente do que foi planejado pelo ultradireitista Anders Breivik na Noruega e que, exatamente na sexta-feira, cumpriu cinco anos, e também da chacina de Winnenden (Alemanha), na qual um adolescente assassinou 14 pessoas, em 2009. O chefe da polícia de Munique, Hubertus Andrae, afirmou que é "evidente" o vínculo entre o ataque de sexta-feira e o que ocorreu na Noruega há cinco anos. No entanto, o ministro de Interior, Thomas de Maiziere, defendeu que era muito cedo para estabelecer relações claras entre os dois episódios. Além disso, entre vários artigos e livros encontrados pela polícia, estava a publicação "Amok na Cabeça - Por Que os Estudantes Matam".

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Os investigadores acreditam que uma soma de problemas com seus colegas de turma e problemas psiquiátricos levaram o jovem a planejar e executar o ataque. Tudo indica que o suposto autor dos disparos sofria bullying e era perseguido por outros companheiros de classe. David chegou a denunciar a situação duas vezes: a primeira quando lhe dirigiram ameaças e outra por agressão física. O promotor de Munique, Thomas Steinkraus-Koch, disse que uma doença relacionada à depressão seria o principal motivo do crime. "No entanto, tudo deve ser esclarecido com tranquilidade", acrescentou o promotor.

O ataque ao shopping Olympia foi planejado minuciosamente. David organizou um evento, por meio de uma conta falsa no Facebook, e convidou todos os que quisessem participar do que acabou se tornando uma carnificina humana. "Venham às 16h ao Shopping. Tenho algo para vocês, mas nada muito caro", escreveu sob o pseudônimo de Selina Akim, que tinha uma foto de uma mulher em seu perfil na rede social. Alguns dos amigos da conta falta já a haviam denunciado por fraude. "Esse cara é um doente mental e só quer chamar atenção”, escreveu um usuário que, inclusive, foi quem identificou o verdadeiro dono do Facebook de Selina Akim, segundo o jornal Süddeutsche Zeitung.