Obama atrasa a retirada do Afeganistão e manterá 8.400 militares

Decisão de deixar mais tropas no país é divulgada antes da cúpula da OTAN na Polônia

O presidente Barack Obama e seu secretário de Defesa, Ashton Carter

Atualmente há 9.800 integrantes das forças norte-americanas no Afeganistão, focados em duas tarefas: assessoramento e treinamento das forças de segurança afegãs e apoio a elas em missões antiterroristas. Essas ações não mudarão, mas, sim, os efetivos destinados a cumpri-las.

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"Em vez de reduzir para 5.500 o número de militares até o final do ano, os EUA manterão 8.400 soldados até o fim de meu mandato”, disse Obama em declarações na Casa Branca, onde estava acompanhado de seu secretário da Defesa, Ash Carter, e do chefe do Estado-Maior Conjunto, general Joseph Dunford.

Este “ajuste adicional”, afirmou, permitirá “continuar proporcionando apoio para que as forças afegãs continuem melhorando” e possam assumir de forma definitiva no futuro a defesa de sua segurança, tarefa que vêm liderando há dois anos, mas sem serem ainda “tão fortes como precisam ser” para enfrentar as ameaças dos talibãs, Al Qaeda e outros grupos terroristas que se expandem no país, como o Estado Islâmico (EI).

"Não podemos esquecer o que está em jogo no Afeganistão”, ressaltou Obama. “Este é o lugar onde a Al Qaeda está tentando reagrupar-se. É onde o Estado Islâmico continua tentando expandir sua presença. Se esses terroristas conseguem recuperar áreas e acampamentos onde treinar e confabular, tentarão mais ataques contra nós. E não podemos permitir isso.”

O presidente afegão, Ashraf Ghani, saudou a decisão de Washington, que elogiou como uma mostra da “contínua aliança entre as duas nações em busca de nossos interesses comuns”, em uma mensagem no Twitter.

Não é a primeira vez que Obama se vê obrigado a modificar seus planos de retirada do Afeganistão. A última foi em outubro, quando decidiu manter até o final deste ano os 9.800 militares estacionados ali e reduzir sua cifra no final de 2016 ou princípio de 2017 para 5.500, em vez de deixar apenas uma força de mil soldados, como previsto inicialmente.

Tanto naquela ocasião como agora, o presidente norte-americano citou a difícil situação da segurança no Afeganistão como motivo para a mudança de planos. Estados Unidos matou em maio ao líder dos talibãs, o clérigo Akhtar Mansur, em um bombardeio. Os principais centros populacionais e rotas de tráfego afegãos estão sob controle das forças de segurança do país, como Obama observou nesta quarta-feira. Ainda assim, reconheceu também que a situação de segurança continua sendo “precária”. Os talibans controlam hoje mais território que em nenhum outro momento desde a invasão internacional liderada pelos EUA no final de 2001, destacou a Reuters, citando recentes estimativas da ONU.

Segundo Obama, o novo adiamento da retirada de efetivos também facilitará para o seu sucessor na Casa Branca a tomada de decisões em relação à presença norte-americana no Afeganistão, já que se trata de um conflito que, alertou, ainda está longe ainda de finalizar.

"Minha decisão garante que meu sucessor terá uma base sólida para continuar os avanços no Afeganistão, bem como a flexibilidade para enfrentar a ameaça do terrorismo à medida que esta evolui”, disse.

A cifra de militares que permanecerão no Afeganistão pelo menos até o final de janeiro de 2017 foi definida levando em conta as recomendações do novo chefe máximo das tropas internacionais no país, o general norte-americano John Nicholson, explicou Obama. O presidente também consultou outros altos comandantes militares, congressistas, sua equipe de segurança nacional, os aliados internacionais e o Governo afegão, acrescentou.

O momento escolhido por Obama para anunciar a revisão dos planos afegãos não é um acaso. Ocorre às vésperas da participação dele na cúpula da OTAN na Polônia, na primeira parte de uma nova viagem à Europa.

Obama qualificou o encontro polonês da Aliança Atlântica como uma “oportunidade para que os aliados e parceiros da OTAN reafirmem seus compromissos” com o Afeganistão, em um claro sinal de que espera também que outros países deem um passo à frente, eventualmente, e revisem seus planos no território afegão.

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