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Irmão do homem detido por matar deputada britânica diz que ele tinha problemas mentais

Um homem diferente ao preso foi apercibido pela policial depois de ameaçá-la em março

Tommy Mair, suposto assassino de Jo Cox, em 2011.
Tommy Mair, suposto assassino de Jo Cox, em 2011. (EFE)

O suspeito detido pelo assassinato da deputada britânica Jo Cox, identificado pela imprensa britânica como Thomas Mair, de 52 anos, é um dos moradores representados pela deputada no Parlamento britânico. Vivia sozinho em uma moradia social de Birstall, próximo ao escritório da deputada e bem perto de onde ela morreu. Os vizinhos o descrevem como um homem introvertido e solitário.

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A polícia trabalha com duas linhas de investigação sobre o suspeito: sua saúde mental e sua possível ligação com a extrema direita. Pelo menos duas testemunhas afirmam que ouviram o agressor gritar “Britain first!” (Grã-Bretanha primeiro), que é o nome de um partido neofascista. Os agentes revistaram a casa de Mair em busca de provas de sua conexão com a extrema direita. Seu nome aparece, segundo o The Guardian, em pelo menos dois sites de conteúdo extremista. O jornal publicou faturas que indicam que Mair comprou manuais para construir armas caseiras em um site de um grupo neonazista norte-americano.

O homem apontado por vizinhos e parentes como o detido pela morte a tiros e facadas da deputada trabalhista – assassinada na quinta-feira em plena campanha a favor da permanência do Reino Unido na União Europeia – tinha antecedentes por doença mental, como disse seu irmão Scott à imprensa britânica. O familiar disse que ele não tinha particular interesse em política, não era racista e violento. “É difícil acreditar no que aconteceu. Tinha antecedentes de doença mental, mas recebia ajuda. Chorei quando ouvi [o ocorrido]. Lamento tanto [pela deputada] e sua família”, declarou Scott à imprensa britânica.

Outro irmão, somente por parte de mãe, de nome Duane St Louise, afirma no The Guardian que Mair realizou trabalho voluntário em uma escola para crianças portadoras de deficiências. O suspeito não tinha um relacionamento. “Teve um em sua juventude, mas a perdeu para um amigo e disse que não queria outra”, explica St Louise.

Mair, segundo o depoimento de seus vizinhos, era aficionado por jardinagem e cuidava de alguns jardins da vizinhança. Viveu com sua avó até sua morte em 1996. Foi ela, e não sua mãe, que o criou. Mas, de acordo com sua família, visitava sua mãe pelo menos duas vezes por semana.

Mesmo que as autoridades não tenham confirmado oficialmente que Mair é o homem detido, a imprensa britânica na sexta-feira traçou seu perfil através de vizinhos e parentes. Tommy Mair, de 52 anos, foi definido por quem conviveu com ele como um homem solitário, desempregado e com problemas de saúde mental. O próprio suspeito declarou em uma ocasião à imprensa local que foi a um centro de saúde mental para adultos.

Nas últimas horas, na quais a comoção fez com que os políticos suspendessem a campanha para o plebiscito de 23 de junho sobre a possível saída do Reino Unido da União Europeia, foi descoberto que a deputada denunciou receber há três meses “mensagens maliciosas”. A Polícia Britânica explicou que detiveram em março um homem com relação a essas mensagens e que o suspeito não era Tommy Mair. “O preso recebeu uma advertência”, explicou a Polícia, segundo a Reuters.

Cox, advogada de 41 anos do Partido Trabalhista e firme partidária da permanência do Reino Unido na União Europeia, morreu após ser atacada em plena rua com uma faca e uma arma de fogo.

Era deputada desde 2015, foi diretora da ONG Oxfam e tinha dois filhos pequenos. Um dia antes de morrer, publicou no Twitter uma foto de seu marido com seus dois filhos navegando no Tâmisa em um bote durante ato de campanha pela permanência na UE. Apaixonada pela política e pela filantropia, ao ocupar sua cadeira pelo Partido Trabalhista deixou atrás de si uma sólida carreira na cooperação, que a levou a trabalhar em alguns dos mais perigosos conflitos armados do mundo.

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