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Omar Mateen: norte-americano, 29 anos, homofóbico e monitorado pelo FBI

A família do assassino de Orlando se declara chocada com o que aconteceu, diz que ele desprezava os homossexuais, mas descarta o motivo religioso

Omar Mateen autor Atentado em Orlando
Foto do perfil de Omar Mateen MySpace

Um nome emerge do pior massacre a tiros da história dos Estados Unidos: Omar Siddique Mateen.

Cidadão norte-americano de 29 anos, vivia em Port Saint Lucie, uma cidade costeira a 200 quilômetros ao sul de Orlando, onde na madrugada do domingo entrou armado numa boate gay, matou 50 pessoas a tiros e feriu 53.

O nome do assassino disparou a especulação desde o primeiro minuto sobre suas motivações. Duas fontes dos serviços de segurança citadas pela CNN disseram que Mateen estava no radar do FBI como possível simpatizante do grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e da Síria (ISIS, na sigla em inglês).

Não há confirmação oficial até o momento de que se trate de um ato de inspiração terrorista ou ordenado diretamente pela organização. O FBI está tratando o caso como um crime de ódio, de possível caráter homofóbico, mas não exclui outras vias de investigação.

Na verdade, o pai de Mateen, Mir Siddique, foi contatado pela rede de televisão NBC e disse que o filho tinha como motivação o ódio à comunidade gay e não razões religiosas.

“Isso não tem nada a ver com religião”, disse o pai. Ele contou que recentemente Omar mostrou seu descontentamento ao ver um casal gay se abraçando no centro de Miami e, em sua opinião, isso poderia ser a origem da matança.

“Ele viu dois homens se beijando na frente da esposa e do filho e ficou enfurecido”, disse.

Omar Mateen
Omar Mateen MySpace

“Estamos pedindo perdão pelo incidente. Nós não estávamos conscientes de que ele estivesse considerando algum tipo de ação. Estamos em estado de choque, como todo o país”, acrescentou o pai do assassino.

A investigação ainda não encontrou provas, seis horas depois do massacre, de conexões diretas com grupos terroristas. O FBI está vasculhando a casa do suspeito à procura de informações no seu computador e rastreando sua atuação nas redes sociais.

O jornal The Washington Post entrou em contato com a ex-mulher de Mateen, que falou sob condição de anonimato. Ela disse que ele nasceu em Nova York. A família é originária do Afeganistão. “Ele não era uma pessoa estável”, disse ela. “Ele me batia. Chegava em casa e começava a me bater porque não tinha terminado de lavar a roupa ou coisas desse tipo”.

Na época, Mateen tinha uma pistola de pequeno calibre e trabalhava como guarda de segurança num centro de reclusão juvenil.

A mulher identificou uma conta do MySpace como sendo do assassino. Nela se podem ver fotos de um homem jovem posando frente ao espelho e outros instantâneos do próprio Mateen. Num deles usa uma camiseta com o logotipo da polícia de Nova York.

O casal se divorciou em 2011 depois que os pais dela souberam dos maus-tratos e a ajudaram a sair da casa. O casamento durou apenas alguns meses.

Semelhanças com San Bernardino

As primeiras horas da investigação sobre Omar Siddique Mateen lembram à manhã do dia 2 de dezembro passado, quando Syed Farook e sua esposa, Tashfeen Malik, mataram a tiros a 14 pessoas em um centro médico de San Bernardino, Califórnia. Farook tinha 28 anos e Malik 29. Ele era filho de imigrantes paquistaneses, nascido e educado nos Estados Unidos. Em ambos crimes, ele utilizou um rifle.

Em San Bernardino, as forças de segurança optaram pela prudência antes de considerar o massacre um ato terrorista. A família e os amigos de Farook insistiram durante horas em que não se tratava de um radical, mas sim de um homem religioso e reservado. Finalmente, o FBI encontrou uma mensagem no Facebook publicado por Malik com pseudônimo na qual ele jurava lealdade ao Estado Islâmico ou ISIS.

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