Greves na França

Sete sindicatos da França aumentam os protestos e greves contra a reforma trabalhista

Governo, dividido em relação à reação a ser adotada, promete desbloquear todas as refinarias

Sindicalistas da CGT participam de manifestação em Marselha, em 26 de maio de 2016.

As centrais exigem ser recebidas pelo Presidente François Hollande. Essa exigência mostra que elas já não consideram o primeiro-ministro um interlocutor válido. Segundo alguns analistas de diferentes jornais, Valls já pensa em uma possível renúncia. Maior defensor da reforma, ele se opõe a qualquer nova concessão no projeto.

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Essa não é a posição de alguns membros importantes do Governo, como o ministro da Fazenda, Michel Sapin, um dos melhores amigos de Hollande. Sapin acredita que há margem para amenizar o artigo 2 do projeto, considerado essencial e segundo o qual os acordos por empresa deveriam prevalecer sobre os acordos por categoria. O artigo estabelece uma mudança radical na legislação trabalhista clássica do país.

Valls tem dito que não negociará esse artigo. Se essa negociação ocorrer, ele se veria obrigado a pensar em deixar o Governo. Mais ainda se o texto for retirado, que é o que os sindicatos exigem e para o que tendem os deputados rebelados do Partido Socialista, no governo.

Hollande afirmou nesta sexta-feira, no Japão, onde participa da reunião do G7, que “o diálogo é sempre possível”, mas que não pode se basear em um “ultimato” como o colocado pelas centrais sindicais. “Não se pode admitir a existência de um sindicato que diz que não respeita a lei”, disse o presidente, fazendo referência à CGT, principal central do país e a mais atuante nos protestos.

Hollande se disse disposto a “fazer de tudo para garantir o bom funcionamento da economia” e, portanto, a viabilizar pela força a distribuição de combustível para os postos, garantir o funcionamento das centrais nucleares e retirar as barricadas erguidas nas estradas e na frente de centros estratégicos de produção e logística.

Unidades policiais antidistúrbios tomaram posição na manhã desta sexta-feira em algumas das seis refinarias bloqueadas, como a de Donges, na Bretanha, com a intenção de retirar as centenas de trabalhadores que impedem o acesso aos tanques desde o dia 19 de maio. Mesmo que consigam fazer isso, o problema do desabastecimento de combustível que atinge 4.000 dos 12.000 postos franceses não será resolvido, pois a maioria dos funcionários das refinarias estão em greve.

Pressão sindical ganha força em progressão geométrica à medida que se aproxima a realização da Eurocopa

Devido à grave crise de abastecimento, o Ministério da Agricultura baixou nesta sexta-feira um decreto permitindo que os agricultores utilizem óleo de calefação em seus tratores.

As sete centrais sindicais que organizam os protestos afirmam, em texto divulgado na noite desta quinta-feira, que “a mobilização se amplia e ganha força” com o “maciço” repúdio da população à reforma. Segundo as pesquisas, mais de 60% dos franceses apoiam os protestos e se opõem ao projeto de lei.

Por isso, os sindicalistas decidiram realizar a partir desta sexta-feira assembleias nos locais de trabalho, que se somarão às manifestações e greves. Eles também querem realizar, a partir de segunda-feira, dentro das empresas, votações sobre a reforma e os protestos a fim de encaminhar seus resultados ao presidente François Hollande. A força de pressão dos sindicatos aumenta em progressão geométrica à medida que se aproxima a realização da Eurocopa no país, com início previsto para 10 de junho.

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