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Ciclovia a beira-mar desaba no Rio de Janeiro e deixa ao menos dois mortos

Ciclovia na avenida Niemeyer caiu após ser atingida por uma onda segundo testemunhas

Ela havia sido inaugurada três meses atrás

Ciclovia Niemeyer Rio de Janeiro, caiu
O trecho da ciclovia que desabou no Rio. Ag. O Globo

Um trecho de 50 metros da ciclovia Tim Maia, que une as praias de Leblon e São Conrado, no Rio de Janeiro, desabou na manhã desta quinta-feira apenas três meses após sua inauguração. A estrutura da ciclovia, elevada acima do mar, teria sido atingida por várias ondas gigantes que fizeram ela cair como “uma folha de papel”, segundo testemunhas. Dois homens que estavam no local no momento da queda foram encontrados mortos no mar, segundo o Corpo de Bombeiros e há, pelo menos, mais um desaparecido.

Uma das vítimas foi identificada como o engenheiro Eduardo Marinho de Albuquerque, de 54 anos, que corria pela ciclovia no momento do desabamento. O corpo foi deixado pelos bombeiros na praia de São Conrado, até onde chegaram sua viúva e seu cunhado, que o identificou. A outra é Ronaldo Severino da Silva, de 60 anos.

A ciclovia foi um dos projetos estrela do prefeito Eduardo Paes que, em janeiro e com o pé quebrado, a inaugurou enquanto andava num triciclo em plena febre pré-Olímpica. O projeto, cujas obras levaram mais de um ano e meio, custou quase 45 milhões de reais e se estende por 3,9 quilômetros. O prefeito, que na hora da tragédia estava em Atenas participando da cerimônia de acendimento da tocha olímpica que marca a contagem regressiva dos 100 dias até a Olimpíada, adiantou seu retorno ao Rio. Ele divulgou uma nota qualificando a tragédia como "imperdoável" e prometeu investigar as causas. A prefeitura afirmou que a fundação Geo-Rio vai realizar uma vistoria no local para apurar as causas do acidente, e que "os reparos serão executados pela empresa responsável pela construção, sem ônus adicionais ao município".

Pedro Paulo Carvalho, secretário executivo de Coordenação, braço direito de Paes e pré-candidato à Prefeitura, afirmou que aguarda o parecer técnico dos engenheiros responsáveis pela obra e qualificou de “desastre inaceitável” a tragédia. Questionado, no entanto, se houve uma falha na construção da ciclovia, Pedro Paulo não confirmou e pediu prudência. "Não vamos medir esforços para cobrar os responsáveis, mas é prematuro fazer acusações", disse o secretário. Segundo ele, foram feitos todos os "estudos geo técnicos antes da obra, precisamos entender primeiro o que aconteceu, todos os cálculos que foram feitos serão revistos".

Segundo o secretário, a responsável pela construção desse trecho da ciclovia é a empresa Concremat. A empresa de engenharia foi citada nas delações da Operação Lava Jato como tendo pago uma das companhias de fachada controlada pelo doleiro Alberto Youssef e por possíveis desvios nas obras da transposição do rio São Francisco. Mauro Viegas Filho, o fundador da companhia e hoje presidente de Honra do Conselho de Administração das Empresas Concremat, é o avô do Secretário Especial de Turismo da cidade, Antonio Pedro Viegas Figueira de Mello.

A tragédia pode frustrar os planos de Paes que prometeu para o mês de abril inaugurar um novo trecho que ligasse São Conrado à Barra da Tijuca, cenário dos Jogos Olímpicos de agosto.

A Polícia Civil informou que irá abrir um inquérito para investigar as causas do acidente. Equipes da perícia foram enviadas ao local para analisar. A ciclovia e a avenida Niemeyer estão interditadas. Em nota, a Concremat afirmou que "uma equipe técnica da empresa já se encontra no local, trabalhando em coordenação com a Secretaria Municipal de Obra", e que "as prioridades neste momento são garantir o atendimento às vítimas e seus familiares e avaliar as causas do acidente".