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Cinco vezes em que Prince rompeu absolutamente todas as regras

O músico, que morreu aos 57 anos, odiava a ortodoxia. Foi tão inovador que até seus fãs mais fiéis não conseguiam seguir seu ritmo

Prince
Prince, em novembro de 2015, durante os American Music Awards, em Califórnia.

Prince morreu nesta quinta aos 57 anos. Em pouco mais de três meses foram-se dois dos músicos mais inovadores, atrevidos, bombásticos e modernos da música pop. Assim como David Bowie (mas menos influente), Prince baseou sua carreira em romper as normas, tanto musicais como estéticas. Prince odiava a rotina e a ortodoxia, e durante toda sua carreira se empenhou em destruir o convencional. Tanto, que inclusive seus fãs não conseguiam segui-lo. Estes são alguns momentos nos quais o músico rompeu regras que ninguém rompia até então...

Quando mudou seu nome por um símbolo

Aconteceu em 1993, quando litígios com sua antiga gravadora o levaram a um beco sem saída; não podia empregar seu nome artístico para nenhuma ação comercial, de modo que optou pela inovação. Passou a chamar TAFKAP (O Artista Anteriormente Conhecido Como Prince, nas siglas em inglês) e, em última instância, adotou um símbolo impronunciável, metade manifesto andrógino (é em parte uma combinação dos signos masculino e feminino), metade ieroglífico (nos anos 80 houve uma grande corrente estética de inspiração egípcia no mundo do rap e o funk). Inclusive teve um caráter tipográfico próprio.

Quando ignorou todas as normas do mercado fonográfico

Prince nunca gostou das gravadoras nem das suas estritas regras. Faz parte da história da música sua lendária irritação com sua gravadora de sempre por não lhe permitir editar todo o material que produzia. Sua revanche foi Emancipation, um disco triplo de sonoridades épicas que celebrava sua libertação do sistema. Mais tarde voltaria a trabalhar com grandes companhias, mas sempre seguindo suas próprias regras. Em 2007, deu de presente seu disco Planet Earth junto com o jornal The Mail on Sunday. E nos últimos tempos apresentava novas gravações sem anunciá-las previamente, seguindo só seus critérios. Menção a parte merece seu célebre Black Album (1987), que oficialmente nunca foi à venda. As cópias promocionais de vinil, com uma embalagem preta que não aparecia nenhuma indicação, são hoje pura relíquia de colecionadores.

Blusa fúcsia, botas de pelúcia e um piano de calda púrpura como a canção que o fez mundialmente famoso: Prince sempre foi fiel à sua lenda.
Blusa fúcsia, botas de pelúcia e um piano de calda púrpura como a canção que o fez mundialmente famoso: Prince sempre foi fiel à sua lenda. Getty

Quando desmontou todas nossas ideias a respeito de como devia se vestir um cantor afroamericano

Na hora de se vestir, Prince jogava com a fusão entre os gêneros. É verdadeiro que o glam dos setenta (Bowie) e a cultura funk experimentava a androginia, o kitsch e a provocação, mas Prince o levou a um nível diferente graças a sua repercussão pública. Na capa do monumental Lovesexy (1988) aparecia completamente nu, recostado entre flores gigantes e com uma pose plenamente feminina. Ao longo dos anos, jogou com a bijuteria, os lenços, o couro, as peles e a estética do rock. Em contraste a sua inegável heterossexualidade e sua estatura diminuta (não chegava a 1,60), o efeito era chocante e pura provocação. Este choque estético correspondia exatamente aos temas eróticos que interpretava com sua característica voz de falsete. Barba, bijuteria e maquiagem. Uma obra mestre da estética pop.

Quando se aproximou das mulheres com mais talento de sua época

Prince sempre foi um personagem polêmico, mas ninguém nega que, em certos aspectos, era bem mais moderno que alguns de seus contemporâneos. Por exemplo, no que diz respeito aos músicos aos quais se aproximava: foi um dos primeiros artistas comerciais a colocar uma mulher na bateria, a extraordinária Sheila E. Também impulsionou a carreira de bandas femininas como Vanity 6 ou Apollonia. E um de seus hits mais famosos, Alphabet St., é indissociável do rap da cantora Cat Glover.

Quando transformou Mineápolis em um símbolo da cultura funky

Antes de Prince, poucos sabiam que Mineápolis é a cidade mais povoada de Minnesota. O cantor reivindicou as raízes culturais de sua cidade natal e estabeleceu ali sua base operativa, Paisley Park, um complexo arquitetônico onde vivia, gravava seus discos e também oferecia shows ocasionas. Já nos anos 80, o som Minneapolis serviu para definir uma mistura de funk, rock e r&b plenamente vinculado ao som inaugurado por Prince em Dirty Mind (1980).

Hoje (e por muitos dias), Minneapolis estará de luto...

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